Posters de manifestações. O poder das ideias em imagens

As coisas as vezes acontecem numa simultaneidade admirável.

Com os protestos rolando a semana toda pelo Brasil afora, e pouco a pouco tomando conta da cobertura da imprensa mundial e as redes sociais, eu fiquei pensando no quanto a transmissão correta e certeira das ideias poderia ajudar a clarificar os nortes de um movimento que aparentemente está crescendo de uma maneira muito maior do que qualquer  liderança supunha.

Existem grupos políticos tentando “assumir” a autoria das manifestações. O governo tenta desesperadamente reduzir tudo à simples baderna, como se toda aquela gente tivesse saído de casa com sangue nos olhos, a procura de confusão. Gente mal informada resolveu achar que era muito barulho por nada, que 20 centavos não é tanta coisa assim.

A verdade é que tudo é muito mais. Muito tempo engolindo sapo, viajando de maneira desconfortável, sofrendo todas as violências que uma cidade como São Paulo ou Rio de Janeiro proporcionam. Assistindo ao desperdício de dinheiro em assuntos que não melhoram em nada a vida de ninguém. Recordes de impostos indo para bolsos e cuecas alheios. E agora querem que eu contribua com mais esses 20 centavos?

Na história, o design ajudou a reunir pessoas em torno de ideias. Especialmente na Revolução Russa e na propaganda nazista. É a tal máxima que as imagens valem mais que mil palavras, ajudam a tornar as percepções mais imediatas. E os movimentos de hoje carecem bastante dessa visão. Apoiam-se em cartazes caseiros, frases  e pinturas escritas nos rostos e corpos dos manifestantes, tudo muito precário. Sem fazer nenhum juízo de valor (a não ser pelos cartazes de Hitler, que não vou mostrar), decidi fazer uma pesquisa sobre design de protestos pelo mundo, e mostrar aqui no blog.

São peças muito impactantes, algumas realmente criaram escolas estéticas (especialmente os da Rússia), copiadas até hoje em peças publicitárias. Fiz um bom repositório de peças, que publico na galeria abaixo.

Foi então que o Edu, da Rede Ubuntu, grande amigo e parceiro da Propósitto , me ligou, totalmente sintonizado nas minhas preocupações. E querendo ajudar, de alguma maneira ser útil. E tinha na cabeça a concepção de um cartaz. Perguntou se eu abraçaria a ideia, o que eu fiz imediatamente. Eis o resultado:

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No passado, os posters foram muito bem usados. Conforme eu escrevi antes, a galeria que exibo a seguir não implica que eu concorde com nenhuma dessas causas. Mostro pelo simples valor estético, comunicativo e histórico.Resolvemos também colocar o poster sob Creative Commons. O que significa que você pode fazer o download e imprimir, usar, compartilhar, desde que dê o crédito e não o modifique. O PDF dele está aqui. Se você é designer, pode ajudar. Faça o seu, coloque sua ideia para fora. Essa é uma causa que vale o investimento do seu tempo (melhor do que certas propostas comerciais indecentes que a gente recebe). E cliquem nos thumbnails, os posters são bem grandes.

 

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50 mil designers

Não costumo comentar posts que já fiz. Mas vou ter que abrir uma exceção.

Meu último post vinha fazendo uma carreira bacaninha, eu estava até orgulhoso dele. Mas hoje cedo, o Rogério Fratin, do grande Designices resolveu compartilhá-lo em sua timeline no Facebook. E então, os acessos realmente explodiram.

Em pouco tempo eu tinha mais de 300 pessoas online ao mesmo tempo na página, depois 500, 700, e por aí foi. No começo da manhã, cerca de 50 mil pessoas haviam passado pelo blog. Alguns deixaram valorosos comentários, no blog e no Face. Poucos discordaram de alguns pontos.

Tudo isso me deixa muito feliz. De alguma maneira, o post serviu como catalisador de sentimentos que aparentemente estão nas mentes de muitos de nós. Talvez muitos estejamos vivendo dia após com aquela sensação de que algo está faltando.

O número alto é ótimo. Só conseguimos mudanças com massa crítica. Quantas pessoas 50 mil designers podem influenciar? Quantos clientes, parceiros e outros designers, podemos alcançar? Muitos.

A maior argumentação foi de que a situação é decorrente de uma lei de mercado. Muita oferta, o preço cai, sempre foi assim. Como temos baixa de engenheiros, os salários aumentam. Como temos designers demais, o preço cai. Mas a pergunta que faço é: quantos desses designers são realmente designers, ou são apenas pessoas que compraram um computador e aprenderam a manipular mal e porcamente um Corel? É culpa nossa se a informática se popularizou tanto?

Não, e sim. Me explico:

Não, não há nada que possamos fazer para frear a popularização das ferramentas. E nem eu quero, já imaginou voltar a colar tirinhas de papel, usar letraset em logo? Credo, não sou saudosista. Mas quem disse que essas facilidades chegaram apenas para nós? Engenheiros, médicos, dentistas e administradores de empresas também tiveram grandes facilidades com a chegada dos computadores.

O que acontece com design gráfico é mais profundo. É a percepção de que qualquer um pode fazer. Até seu sobrinho. Não dá trabalho, não precisa cobrar, ele até gosta. E sim, há uma questão cultural envolvida. O mundo não está muito preparado para alguém que gosta do que faz. Outra parte do problema vem de empregadores. É dificil ser empresário no Brasil, é verdade. Empregar é um transtorno. E a sazonalidade do mercado não ajuda. Quem garante que você vai ter trabalho daqui há seis meses? Depois que contratou, tem que gerar demanda. A solução encontrada por muitos foi a contratação de mão de obra operacional. Gente que quase não cria, não pensa. Apenas executa o que o diretor manda.

O outro lado da moeda fica nas costas do empresário brasileiro, especialmente o pequeno e médio, que há algum tempo (pouco) descobriu que precisava desse negócio de logotipo, senão ficava dificil manter o negócio. Depois descobriu que precisava de site. E, como um burocrata, resolveu chamar alguém pra resolver esse problema gastando o mínimo do mínimo possível.

A falta de preparo desse empreendedor não permitiu que ele soubesse de verdade o que o design poderia fazer pelo negócio dele. É mais como uma etapa que ele precisa tirar da frente, ou como uma tatuagem, um símbolo que ele faz porque é legal. Mas também, ninguém gastou saliva para fazê-lo ver essa realidade. Ninguém avisou dos riscos e das benesses envolvidas.

E isso é problema nosso, sim. É na mudança de postura, e em cada contato com esses empresários que a gente pode mudar as coisas. Ao dizer não, mandar uma proposta profissional, que explique o porque do não. E porque você não trabalha daquela forma, e os prejuízos que você enxerga para o negócio. Ele poderá te recusar o trabalho, mas certamente lembrará de você quando olhar para a porcaria que lhe será entregue.

De fato, nada é pra agora. Essas coisas levam tempo. Se não começarmos, demora mais ainda. Mas quem sabe, pouco a pouco a gente não descobre que tem muito menos designer no mercado do que pensávamos? E aí, a lei de oferta e demanda age a nosso favor.

Simples, não?

Não, nem um pouco. Mas para quem já investiu tanto, não há outra saída.

Obrigado de verdade a todos que passaram pelo blog hoje. As batalhas ficam mais fáceis quando você tem um exército.

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Escolhi uma profissão de merda. E agora?

No meio da semana fomos surpreendidos (você foi?) por essa matéria da Forbes mostrando as profissões menos rentáveis dos EUA. E lá está o Design Gráfico, em plena terra do Tio Sam, com um dos 8 piores níveis salariais do país. Sabemos que temos a tendência de copiar tudo da América do Norte. E quem vive e trabalha na área aqui, sabe em terra brasilis, é provável que nem mesmo em oitavo lugar estejamos.

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Sabe quanto tempo você vai ter que trabalhar par comprar uma mesa dessas?

E agora, designer, o que fazer?

Resolvi escrever este texto para tentar trazer a discussão para outros focos, e ligar pontos que ficam desconexos. De um modo ou de outro, a mudança dessa panorama passa por discussões sérias, onde cada lado vai ter que apresentar argumentos sólidos para convencer o outro. Porque, indo cada um para um lado, como está, não iremos a parte alguma. Eis o que penso:

1 – Se você comprar esse lixo, ele é todo seu

Vejamos. A pesquisa diz que estamos na base da cadeia alimentar. Somos devorados por todos. Estamos entre os primeiros a ser descartados quando a água bate nos digníssimos traseiros de nossos empregadores.

Existe um lado não explorado na matéria, que tem a ver com outra matéria que eu li, semanas atrás. Essa aqui. Ela dá conta de que milhares de pessoas aportando no mercado de trabalho atual tem procurado as áreas da chamada “Economia Criativa”. Áreas que teoricamente são “excitantes”, “vibrantes”, que têm menos regras de conduta, com horários mais flexíveis, em que você pode ser mais você. Setores como games, software, audiovisual, moda, editoração e mídia, e é claro, DESIGN.

Isso transformou o setor numa certa meca, um local de sonhos, onde as empresas mais parecem clubes, cheias de gente interessante, inteligente, com valores pessoais tão grandes… E dura, sem grana.

É preciso que se saiba, que estamos entre as áreas mais demandadas da economia atual. O design exerce um papel cada vez maior da escolha de compra do consumidor. Em alguns casos, é o fator central. Milhões e milhões de dólares são feitos sobre o trabalho de valorosos designers.

Mas o sonho, dizem, é trabalhar por prazer. Bom, eu tenho algo a dizer:

2 – Trabalhe por grana

Amigos meus de longa data, profissionais competentes, com portfólios bem estruturados me dizem que o mercado não está pra brincadeira. Que um diretor de arte num estúdio de médio porte ganha por volta de R$ 3.000,00 , bruto. E para merecer esse salário, ele vai ter que dominar o pacote master Adobe, manjar de HTML, CSS, PHP, arranhar um ASP, se virar num 3D Max e saber fazer vinhetas animadas pra vídeo.

Minha reação quanto a isso. Para mim, não. Eu não dirijo arte por RS 3.000,00. Antes disso, faço um curso de torneiro mecânico, uma profissão que não exige muito da minha criatividade, mas que paga melhor do que isso, e nas horas vagas eu pinto quadros, faço histórias em quadrinhos, aprendo a tocar um instrumento e mato meu desejo por realização criativa.

É preciso aprender a dizer não. E isso é mais difícil do que se espera.

Afinal, como deixar passar aquele job de logo para uma Surf Shop que caiu no seu colo, mas que o dono agora não tem grana pra nvestir? Como recusar aquela ilustra engraçadinha que vai sair numa revista mais ou menos bem-lida? Como deixar de pegar o catálogo só porque o dono da empresa quer que você também tire fotos da linha de produtos inteira dele, mesmo você explicando que só tem uma Cybershot simples? E como correr o risco de perder uma concorrência só porque você vai perder duas noites num “rascunho” simples que todos os outros designers vão fazer, para o cliente escolher qual gosta mais?

É fácil dizer. Mas na hora, o medo da dispensa leva muitos a colocar os rabos entre as perninhas, mandar um “ok”, e o pior de tudo, ainda achar algum prazer na experiência do estupro.

Seu cliente precisa saber que você trabalha por dinheiro, assim como ele. Que você está comprometido com o sucesso daquele projeto para que ele ganhe dinheiro, e te procure novamente para que você faça sua mágica. É simples assim. Você precisa cobrar o suficiente para que, se um dia tiver seu dia completamente lotado de trabalhos, esteja bem de vida. O quão bem de vida? Isso é contigo. Eu tenho meus sonhos, e as duas únicas ferramentas que tenho para realizá-los são meu trabalho, e a chance de acertar sozinho na mega-sena.

3 – Projete a imagem de si que você quer que os outros vejam

Saiba que seu cliente tem uma visão de você. E que você o ajudou a construir essa visão.

Na cabeça dele, um advogado, um engenheiro ou um médico muito bem-sucedidos andam de BMW, tem casas na praia e viajam para a Europa com a família nas férias. Um designer muito bem sucedido tem um iPhone, dirige um Pegeout 206 e usa roupas “muito loucas”.

Culpa sua.

São os valores que você mostrou para seu chefe, para seus amigos, sua rede. Você fala disso, veste isso, dirige isso, e parece não ter as preocupações que todos têm em relação ao futuro. “A vida até parece uma festa”, diriam os Titãs. Você tenta passar para o mundo que nasceu predestinado, com um dom, e que por isso não dá trabalho fazer o que faz. É tranquilo, com um pé nas costas. Bom, ninguém valoriza quem trabalha na moleza. Você sente muito prazer em sua profissão, guarde-o para si. Até ator pornô diz que o trabalho dele é bem duro e técnico.

Todo profissional quer ser respeitado. O modo como cada um batalha para conseguir esse respeito e proteger seu meio de vida é que difere.

Alguns designers que tenho visto (e alguns são muito bons), tentando quebrar essa visão, tem usado um approach absurdamente técnico no exercício do design. Explicam grids, pixels, minúcias tipográficas, tendências com uma desenvoltura que eu poucas vezes vi. É uma saída. O cliente e o mercado passam a ver design como uma profissão, não como estilo de vida. Mas não sou completamente a favor.

Na minha opinião, deveriam estar se esmerando na arte de mostrar para o cliente o quanto o investimento dele RETORNA ao seu bolso. O quanto ele PRECISA investir em design, antes que o concorrente o faça, ou faça melhor, e o deixe chupando o dedo. O quanto o design vale a pena, e a quantidade de gente que não entende patavina disso tudo. O lado técnico estará lá, mas embutido dentro da entrega. Caso contrário, o risco é o cliente achar que tudo isso é muito complicado para ele e deixar para seu sobrinho, que não lhe dá essas dores de cabeça.

Não sei quem foi que disse, que, o mundo seria diferente se todos soubessem o que se passa dentro de um centro cirúrgico ou numa fábrica de linguiça. No fundo, nem tudo o cliente tem que saber. E dissecar os tintins por tintins da área para todos é no máximo um bom exercício acadêmico, que surte um grande efeito na pagação de pau entre outros designers.

4 – Regulamentação?

Estamos convivendo com uma ameaça(?) de regulamentação desde que eu me formei, e olha que eu fiz paste-up.

Eu já fui a favor, já fui contra e muito pelo o contrário.

Hoje, eu acho que é um caminho natural, como profissão, de se ter alguma regulamentação. O difícil é achar que isso ajuda a mudar qualquer coisa desse panorama. Ok, vamos ter uma lei que diz que não se poderá pagar menos que R$ 700 para um estagiário. E daí? Que precisará de diploma para exercer (será?) mas e daí?

Se o mercado não valoriza uma profissão por si só, uma lei vai fazer isso?

Alguém acha que a Regulamentação vai obrigar um patrão pagar R$ 10.000 para um diretor de arte?

Que vai impedir que os bróder fiquem trampando até as 3 da matina para entregar layout a troco de pizza (mesmo que na lei seja proibido, mesmo sem regulamentação nenhuma)?

Que um cliente pague a um designer o suficiente para que ele possa viver dignamente e dedique a quantidade de horas necessária para que ele lhe entregue um trabalho realmente de primeira?

Sempre gostam de nos comparar com as leis de médicos, advogados e engenheiros (eu mesmo fiz isso parágrafos acima), profissões ultra-regulamentadas, que tem entidades de classe representativas. Mas precisamos entender certas verdades do mercado.

Aceite: o mundo sempre vai precisar mais de médicos, engenheiros e advogados. Se fossemos atacados por alienígenas hoje, iríamos precisar especialmente dos dois primeiros. É do jogo.

Mas isso não quer dizer que precisemos ganhar menos do que a secretária de um médico. Porque no frigir dos ovos, médicos, advogados e engenheiros vão ao supermercado, e resolvem comprar um produto em detrimento do outro porque a embalagem ou a marca lhe passou mais confiança. Compram carros porque são mais bonitos. Vestem roupas que combinam com estilos de vida que um designer ajudou a criar. Portanto, enquanto os aliens não chegam, você é sim, parte importante da sociedade em que vivemos, e merece ser pago pelo que faz.

5 – O que ninguém falou

Junto da lista da Forbes, há uma outra matéria (essa). Que diz que as profissões ligadas a arte e ciências estão entre as menos bem pagas nos EUA.

Se você ler, vai ver que eles colocam a faixa dos salários. A frase que me chamou a atenção é essa: “Quando conseguem um emprego, o salário médio é de apenas US$ 28 mil por ano, em comparação com ganhos iniciais de um engenheiro mecânico, de US$ 58 mil anuais”.

Faça as contas. US$ 28 mil por ano dá, em valores de hoje, algo em torno de R$ 4.600 mensais, para um iniciante. O que mostra que aqui, em terras tupiniquins vamos ter que melhorar MUITO para ficar ruim igual lá.

Ou seja: se você não quer abraçar a carreira de torneiro mecânico, e melhor começar a fazer algo para mudar.

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Porftólios absurdos: René Gruau

René Gruau trabalhou com moda antes dos advento das supermodelos, superfotógrafos e editoriais modernosos. Começou antes mesmo dos fotógrafos (e as máquinas) dominarem completamente a abrangência do seu trabalho.

Quando as fotos numa revista ainda engatinhavam, a arte de Gruau conseguia passar o glamour, irreverênica e a classe. Na verdade, seus desenhos ilustram melhor do que as fotos o estilo de vida do começo do século.

René era filho de um conde italiano, e mudou com a mãe para a França depois que os pais se separaram. Começou a trabalhar com ilustração com 14 anos de idade. Seu estilo traz muito de Toulouse Lautrec, mas também de Gustav Klimt, e outros da art noveau. E foi além, com um traço hiper elegante e sacadas geniais no trabalho com cores. É um deleite visual, mesmo pra que não está nem aí para moda.

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O conto dos 3 construtores

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Era uma vez um homem que tinha um terreno. Era um terreno razoavelmente bem localizado, numa vizinhança que prometia melhorar bastante com o tempo.

O homem não tinha a intenção de ocupar aquele terreno. Queria construir uma boa casa, a melhor possível. Depois vendê-la, lucrar com a valorização.

Mas mesmo com toda a atenção que tinha por aquele lugar, o homem era prático. Queria construir de maneira inteligente, e, como qualquer pessoa do mundo, queria gastar o mínimo possível e ao mesmo tempo, fazer um projeto decente que atendesse às suas necessidades.

Por isso, o homem buscou no mercado construtores para executar a obra. Recebeu dezenas de pretendentes. Descartou aqueles que de empresas acostumadas com obras gigantes, como estádios e shopping centers, e também aqueles que mal sabiam se apresentar, que vinham com más referências, que nitidamente não tinham a menor capacidade técnica. Ambos lhe pareciam fora do que ele precisava para completar sua obra.

Sobraram 3 construtores, cada um com sua característica. O homem chamou os 3 para entrevistas.

O primeiro construtor era o mais experiente. Ele disse que levaria 8 meses para concluir a obra. Explicou:

- O senhor tem um terreno especial. Vai ter muita gente vendo. Não pode fazer um acabamento qualquer. Para fazer um projeto único, que se imponha pela originalidade, vamos precisar de boa mão de obra. Vamos precisar fazer uma base sólida, com um trabalho de terraplenagem em diversos níveis. Minha empresa tem uma ótima equipe, com um entrosamento maravilhoso. Tenho especialistas em eletricidade, hidráulica, em assentamento de piso. Cada um é um especialista em sua área. Só usamos os materiais mais nobres do mercado. Com certeza, ao final do processo, o senhor vai ter uma casa maravilhosa, digna de revista. Meu preço gira em torno de R$ 800,00 o metro quadrado.

O segundo construtor ficava no meio termo.

- Não vejo necessidade de muito luxo. Vamos trabalhar com materiais rústicos, que dão pouco trabalho de acabamento, mas dão um resultado visual atraente. Eu não tenho uma empresa com tantos anos de mercado e com tantos funcionários, mas eu posso trabalhar junto com outras pequenas empresas do mercado, cada um em sua área de especialidade. O trabalho pode levar um pouco mais de tempo, pois teremos que administrar os calendários de várias pessoas, mas trabalhando desta forma, consigo uma economia significativa, pois não preciso de carregar uma estrutura fixa tão grande, e posso repassar essa diferença para meus clientes. O valor dos meus serviços é de R$ 650,00 o metro quadrado.

O terceiro era um rapaz cheio de vontade. Trazia vários desenhos de construções que ele havia imaginado, todos muito bonitos, mas nenhum finalizado.

- Eu não tenho uma empresa aberta, então eu precisaria ser contratato pelo senhor por um período. Eu nunca construí uma casa inteira na vida, mas já vi outros fazendo, e sei tudo que precisa ser feito. Eu achei o terreno do senhor muito bonito, sua vizinhança tem um monte de pessoas que me interessam. E eu sou doido pra fazer uma casa como essa, eu ia ter um enorme prazer. Além do que, finalmente eu teria um projeto pronto para mostrar. Eu acho besteira esse negócio de chamar outras pessoas. Posso perfeitamente fazer tudo sozinho. Um dia eu cuido de uma coisa, outro dia eu cuido de outra.

O homem argumentou que levaria muito tempo. O rapaz retrucou:

- Não se preocupe com isso. Eu dobro meus turnos. O senhor não precisa se preocupar com horas extras nem banco de horas. É só o senhor comprar umas pizzas, que tá ótimo. Na verdade, vou ser sincero com o senhor, nem estou fazendo isso pelo dinheiro. É que eu AMO construção. Acho muito legal, muito bacana. Eu posso trabalhar de boa, posso ouvir música e não preciso usar terno e gravata. Com certeza eu vou pensar num projeto super original, com materiais que não são os melhores, mas parecem muito com eles, e no final, quase não vai dar pra notar a diferença. Meu valor é de R$ 130,00 por metro quadrado, mas se estiver difícil, a gente conversa.

O homem pensou a respeito.

O projeto nem era para a familia dele. Era pra vender mesmo. Os dois primeiros construtores eram com certeza mais qualificados, mas a diferença era muito grande. Além disso, o rapaz tinha aquela paixão no olhar. Guardou os telefones dos primeiros, e fechou com o último, por R$ 95,00 o metro quadrado.

Demorou mais, mas a casa ficou pronta. Não ficou exatamente como ele queria, mas de fora tinha uma aparência razoável. Não era um projeto original, dava pra ver que várias ideias tinham sido copiadas de outras casas que ele já tinha visto, mas também não era completamente tosca. Alguns pontos do piso não estavam perfeitamente alinhados quando se olhava com detalhe. Canos pingavam, e alguns pontos, dava pra ver que haveriam infiltrações, mas isso ia ser problema de quem comprasse a casa. Para quem passava na rua, e olhava a casa, surtia o efeito desejado.

O homem não vendeu a casa pelo preço que queria, mas pela economia que acabou fazendo na contratação, estava ok. Ele não cumprira a visão de ter uma casa realmente formidável, mas paciência. No final, ele acabou continuando com o jovem contratato, e lhe deu outra casa para construir. E perguntou se ele tinha um amigo que trabalhasse no mesmo esquema. Mas pediu pros caras não ficarem pedindo a pizza mais cara toda noite, porque já estava ficando inviável aquela brincadeira.

FIM.

Substitua terreno por Agência.

Substitua construção por Job.

Substitua construtor por Designer.

Substitua eletricidade, hidráulica, e assentamento de piso por Ilustração, programação e fotografia (ou outras especialidades, você sacou).

 

E entenda mais ou menos porque o mercado de design anda tão estranho.

 

 

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A dificil arte de empreender no Brasil

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Às vésperas de completar 3 anos como empresário, me pego fazendo balanços sobre essa experiência.

Minha entrada no mundo empresarial foi fruto de uma situação onde a melhor saída era abrir uma empresa. Foi uma decisão fria e pensada. Dadas as condições que eu tinha no momento, ser dono do meu próprio negócio era, e é, minha melhor opção. Ainda assim, as expectativas que se cria em torno da abertura da sua empresa raramente são completamente reais. O dia-a-dia é cansativo, as vezes solitário, cheio de incertezas.

Muitas vezes dá saudade da época em que entrava na hora certa, desligava meu computador na saída, e deixava para voltar a pensar nos problemas somente no dia seguinte. O resto do dia, ou da noite, era em boa parte, somente meu. Grande parte de minhas decisões eram compartilhadas com outros colegas, e portanto também minha responsabilidade sobre elas. Tudo isso dá uma certa tranquilidade em se trabalhar como empregado. Por mais dedicado que você seja.

Olhando em retrospecto, eu meio que não me encaixava nesse padrão, apesar de todas essas “vantagens”. Acho que falava demais, me expunha demais, discordava demais. Sempre fui pragmático, sempre procurei cortar a baboseira e ir direto para a ação. Tentava fazer alguma coisa diferente, e por isso mesmo, errava. E por colocar tanto meu pescoço na reta, um dia ele estava bem na guilhotina. Talvez esse comportamento já indicasse que no fundo, eu precisava mesmo empreender. Ser dono de minhas decisões, assumir meus erros e, é claro, ser dono dos meu méritos.

Essas características se aplicam a empreendedores do mundo inteiro. Mas aqueles que vão tentar essa modalidade de trabalho aqui no Brasil vão ter problemas muito particulares desse país, que com certeza afastam milhares de pessoas que poderiam estar movimentando a economia de um modo muito mais justo e inteligente do que baixar impostos de carros populares e geladeiras.

Qualquer um sabe disso durante o programa eleitoral, mas esquece no momento em que coloca os pés na máquina governamental. A vida do empresário brasileiro acaba sendo tão complicada, que somente sendo um pra começar a entender o tamanho da encrenca em que se está metido. Nem todos os problemas são governamentais. Mas a maioria seria muito minimizado por uma ação assertiva e na direção certa do governo.

Aqui vou listar os 3 problemas que mais me atingem. Não acho são todos, até porque conheço os problemas referentes à área que atuo. Se algum leitor de outra área lembrar de mais, por favor, me ajude a completar a lista.

 1 – Cultura

A primeira dificuldade que vou elencar não é de ordem governamental, mas da própria cultura brasileira. É algo sutil, mas que fica muito evidente depois que você muda de condição.

Somos viciados em fracasso. O brasileiro tem adoração por coitados.

Tenho um conhecido que é americano, e pequeno empresário lá. Um dia desses ele colocou uma foto em seu Facebook de sua coleção de motos. Outra em sua lancha. Outra de uma TV enorme em sua sala.

Ele estava sendo metido?

Não. Ele estava orgulhoso de seu sucesso. E dividia isso com seus pares. Seus amigos e clientes, ao olharem, vão pensar “ele deve ser um ótimo empresário, veja como está indo bem”. Estrangeiros (especialmente americanos) cultuam histórias de sucesso. Homens que fizeram a si próprios, que mudaram as regras do jogo. Para eles, ser um pouco arrogante às vezes faz parte (vide um Donald Trump). Mas se você é um vencedor, deve se orgulhar disso. É claro, que isso levado ao exagero (e isso acontece com alguma frequência) torna o jogo chato, e tem gente que finge sucesso para entrar no clube, mas isso é distorção da regra.

Pra nós, é um paradigma. Se alguém se apresenta como bem-sucedido, a primeira impressão é que ele está se mostrando. É frequente vermos pessoas que tem dinheiro e vivem bem, mas vivem reclamando da vida, para não soarem pedantes. Isso, no meu entender, gera um problema, especialmente no setor de serviços. Se você cobra o valor justo por seu trabalho, referente ao tamanho de sua experiência e expectativa de vida, isso é visto como exploração. Porque no fundo, achamos que aspirações de sucesso são supérfluas.

Ascensão social só é bem vista em pessoas que saíram de classes muito pouco favorecidas. E nesse caso, o brasileiro aceita tudo. Não importa mesmo como o fulano chegou a ter dinheiro, o que interessa é ele ser humilde. Isso na verdade implica em ele continuar a se portar como pobre. Se ele muda de classe social mas ganha um novo círculo de amigos, ou passa a se expressar de maneira mais adequada, ou muda de endereço para uma outra comunidade, isso é muito mal visto.

Acho que as bases do empreendedorismo deveriam ser passadas na escola. Para que todos cresçam com a imagem certa do que forma uma economia, o quanto ela é vital para que o país deixa pra trás esse eterno título de país “em desenvolvimento”. Quem sabe a gente passe a votar em quem tem experiência administrativa, e não em quem diz que teve um passado muito dificil.

2 – Serviços

Este ítem está muito ligado ao item 3, que trata de impostos. Mas decidi colocá-lo um lugar acima, porque no fundo, se os serviços funcionassem, talvez a carga de impostos não fosse tão mal vista. Mas o fato é que, ou por não fornecer, ou por permitir práticas predatórias, o governo deixa de oferecer ao empresário ferramentas e processos que poderiam tornar sua atividade muito mais simples e competitiva.

Serviços como telefonia, tráfego de dados, custos com bancos, viagens, crédito etc. são coisas que deveriam ser regulados pelo governo. Em certas áreas a concorrência deveria ser estimulada.

O exemplo mais gritante é realmente o da nossa internet. Como exemplo, uso o da minha própria empresa. Estou localizado a 60km de São Paulo e Sorocaba, duas grandes cidades, em uma área de grande crescimento populacional. E tenho que me contentar com uma velocidade de 1 mega, que na verdade nunca passa de 100kpb/s. Isso porque briguei muito para conseguir a instalação. Não adianta reclamar. A Vivo (e antes dela, a Telefonica) faz questão de dizer, claramente, com todas as letras, que não tem interesse em expansão aqui. É a única do pedaço. Compre essa, se tiver sorte, ou não compre nada. Esqueça 3g, ele também funciona muito mal aqui. Conheço dezenas de pessoas que não tem, ou estão amargamente insatisfeitas com o serviço. Em outros países, isso é chamado oportunidade para os concorrentes. Aqui é reserva de mercado mesmo.

Se você ligar lá, eles vão tentar te vender TV por satélite. Esse sim, é um filão interminável, que dá pouco problema.

Outra coisa que fica claro é uma grande lacuna em programas de estímulo ao empreendedorismo. Linhas de crédito, editais governamentais feitos de maneira a criar oportunidades para pequenas empresas que, com uma bem-vinda injeção de recursos, poderiam crescer e executar serviços de maneira mais honesta e BARATA para o próprio governo.

Em grandes centros, em que a economia geralmente se desenrola mais agressivamente, os problemas de locomoção, de infraestrutura e de gestão se acumulam e não se resolvem à décadas. Um dono de empresa que poderia fazer 5 reuniões em um dia, fará no máximo 2 em uma cidade como São Paulo. E na segunda estará descomposto e nervoso. Isso se não pegar um alagamento na volta para casa.

Com uma regulação bem feita, todos estes serviços tem a capacidade de por si só serem multiplicadores, de gerarem negócios que nem existem ainda, de transformar panoramas inteiros.

3 – Impostos e burocracia

Não tem como negar. Mesmo para quem, como eu, é dono de uma empresa pequena, e paga um imposto que, em sí, é muito razoável, a carga de impostos que pagamos em todo o sistema que circunda a sua empresa é inadmissível. Não vou me alongar demais aqui, pois muito já foi dito sobre o tema.

Mas o fato é que todo o sistema de impostos e a burocracia envolvida na abertura, fechamento e manutenção de uma empresa é um enorme convite à sonegação, à informalidade e a todo tipo de mutreta fiscal possível. Cada um de nós sabe, ou tem a impressão que seus impostos pagos movimentam mais a máquina de corrupção governamental do que o crescimento do país.

O empresário depende de um contador para tomar conta de sua situação fiscal, pois é humanamente impossível tentar cuidar do seu negócio e, ao mesmo tempo, entender o sistema. Cartórios ainda são sistemas oligárquicos que são mantidos por famílias à gerações, e não parecem estar acabando.

O governo está cada vez mais eficiente em pegar todo tipo de desvio ou esquecimento da parte das empresas. Mas tente precisar de algo deles, e você passará pelo maior descaso que um ser humano pode experimentar na vida. Eu mesmo, paguei indevidamente impostos duplicados há algum tempo, e pedi ressarcimento dos valores errados. Está em análise. HÁ MAIS DE DOIS ANOS. Sem previsão de entrega. Eles não tem obrigações, nem comprometimento. É imposto medieval, de cima para baixo. Cale a boca e pague, sem reclamar.

Se o empreendedor quiser almejar a voos maiores, maiores serão suas dores de cabeça ao tentar contratar alguém. E demitir depois. Aí é pra deitar em posição fetal e chorar.

No geral, o panorama ainda é desolador. Há um Ministério de Micro e Pequenas sendo cozinhado por aí, mas se ministério resolvesse alguma coisa, seríamos a Suécia.

Empreender é um passo importante, e hoje respeito cada vez mais quem opta por este tipo de vida. Mas meu conselho, antes de abraçar, informe-se sobre o que o espera. Errar faz parte da vidad do empresário, mas estar preparado ainda é o melhor conselho.

 

 

 

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A grande Gestão de Marca da Igreja Católica

Desde o dia 11 de fevereiro, o mundo vem assistindo diariamente a todos os passos que o Papa Bento XVI dá em direção à sua aposentadoria, que aconteceu ontem, dia 28 de fevereiro. Muito se tem discutido os motivos de sua renúncia, que não são totalmente secretos, porém não totalmente claros.

O motivo oficial é um autoproclamado cansaço, a falta de vigor para continuar a frente de tal cargo. Uma renúncia como esta não era vista há 600 anos.

Não oficialmente, podemos nos fiar nas análises de especialistas nos assuntos. Aqui, devo usar essas opiniões para dar minha visão da posição que a igreja católica passa enquanto marca.

Marca? Sim, a Igreja é uma marca. E como tal é tratada. Tem, aliás, um dos logotipos mais fortes, reproduzidos e reconhecíveis da Terra, mas não só isso.

Seus quadros sabem se portar de acordo com o esperado pela matriz, possuem treinamento especializado, conhecem as regras da empresa. Tem um manual de marca traduzido e utilizado em todos os idiomas. Seu conjunto de iconogramas, desde a vestimenta Papal, com suas vestes brancas e sapatos vermelhos, até as roupas dos cardeais, bispos e padres, seguem padrões reconhecíveis dentro e fora da instituição. Na verdade, a identidade corporativa da igreja é tão completa, que desce ao detalhe dos anéis, taças e utensílios utilizados. Durante sua história, a organização contou com os maiores artistas da história da humanidade para ajudar a construir essa imagem. É quase o sonho de qualquer analista de branding.

Mas creio que toda a celeuma que existe por trás da saída de Ratzinger seja na verdade, uma grande operação de gestão de marca.

Nos últimos anos, mesmo com todo esse cuidado, a imagem da igreja católica não anda bem das pernas. Alguns de seus quadros envolveram-se em expedientes menos que recomendáveis, e como qualquer empresário sabe, seus funcionários e a conduta deles reflete e respinga na sua marca.

A Igreja se distanciou do seu público. Primeiro pelo enorme aumento da concorrência. Segundo porque vende um produto muito subjetivo. A salvação depende de que seus fieis acreditem que estejam sendo salvos. Quando uma marca alcança um determinado share de mercado, qualquer ação é demasiadamente complexa. Tem reflexos que atingem a sociedade, a cultura, a política. Pense na Coca-Cola anunciando que daqui pra diante, sua marca é roxa e seu sabor é de Pêra. Provavelmente governos inteiros caíriam.

Por isso, as igrejas evangélicas conseguem atuar um passo além, num marketing muito mais agresivo. Claro, tem uma organização muito mais descentralizada e seus funcionários tem alçada local para decidir seus atos.

Outro fato: apesar da marca extremamente forte do Catolicismo, seus principais garotos propaganda também fazem campanha para os concorrentes. Além disso, um dos principais angariadores de fiéis do passado, o diabo, agora aparece muito mais na concorrência.

Fora que, como a Apple, a Igreja sofre pelo fato de ter perdido um CEO muito popular, muito mais hábil e carismático que seu sucessor. Ratzinger parecia ter boa vontade, mas não tinha a mesma força aglutinadora que João Paulo II. Este, em seu tempo, como Jobs, soube jogar o jogo político por um lado e por outro sabia ser o showman que os fiéis pediam. Como o CEO da Apple, ele lançou novos produtos, como a renovação Carismática, ao mesmo tempo que garantia a tranquilidade para seus seguidores de que “o coração da organização continua intacto”.

Em momentos de crise, qualquer gestor de marca sabe que tem duas opções para reconquistar terreno. Ou se volta para os valores mais básicos que  primeiramente fizeram a marca crescer, ou aposta numa renovação muito mais ampla, tentando encontrar os valores que o público dissidente está correndo atrás. Ambas alternativas são arriscadas. Mas a imobilidade pode ser bem mais destrutiva.

Se eu tiver que chutar, como um não católico apenas fazendo conjeturas, diria que a Igreja vai escolher um próximo Papa com uma das seguintes características: ou muito mais conservador, ou muito mais progressista. De um jeito ou de outro, deve ser jovem o bastante para aguentar uma transição de marca que deve  durar pelo menos 20 anos, deve ser encantador e saber lidar com grandes massas. Deve ter o mais impoluto dos passados. E mais importante, deve conhecer por dentro e por fora o campo de batalha onde estará pisando.

Ratzinger deve estar aliviado. Tim Cook deve estar pensando se não deve seguir para a clausura.

 

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O poster da Copa do Mundo de 2014

A Fifa acaba de anunciar o novo poster oficial da vindoura Copa do ano que vem. Veja aí abaixo:

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E o que achar deste poster? Bom, só posso dar minha opinião, e é negativa. Me explico.

Na primeira leitura, vista a distância, o poster é o mapa. Na segunda tem as pernas. E na terceira, que só se justifica quando vista de perto, a montanha de pictogramas.

Uma coisa fica bem clara: a tipografia oficial da Copa 2014 é tão linda e tem tantas utilizações quanto a comic-sans. Me parece jogada no cartaz, sem um alinhamento aparente ou uma linha mestra de intenção que se possa entender. Fora a péssima leitura de longe.

As cores, que poderiam ser mais bem usadas, se diluem, se misturam no degradê xexelento usado para dar alguma vida aos montes de ícones que lembram o logo da Unilever. E mesmo a correlação com as cores do Brasil se perde quando inventam de colocar um vermelho sem o menor sentido ali.

Outros posters de Copas passadas (especialmente os mais antigos) tinham menos preocupação em ser uma peça de propaganda turística do país. Apostavam mais na força e plasticidade do futebol, e da união de nações para fazer funcionar.

Mas se a intenção era colocar mesmo a questão cultural no cartaz, acho ainda mais fraco. Porque a primeira referência é simplesmente o mapa. Ora, um mapa é fraco culturalmente. É tão somente um fator geopolítico, não cultural. Se o  mapa signifca algo, é somente para os brasileiros. Ou alguém se sentiria movido ao ver um cartaz com o mapa do Azerbajão?

A enxurrada de ícones pra mim traduz uma falta de auto imagem cultural. Uma ciumeira de cada estado. Parece que não temos um polo, uma imagem que nos traduza. Tem que colocar tudo, do maracatu à bossa nova, para não melindrar ninguém. À Espanha, em 82, bastou a referência à Miró. Aos Estados Unidos, não precisou mais do que as cores. Mas aqui, tem de lagarto a baiana. Nada sobressai, nada significa nada.

Fiz uma rápida seleção de posters de Copas passadas. Fiquem com eles.

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Que tipo de futuro as empresas estão buscando?

Algumas grandes corporações com foco em tecnologia costumam, de tempos em tempos, produzir vídeos com seus conceitos de futuro. Na verdade, são projeções feitas por seus laboratórios de pesquisa, indicando possibilidades que seus produtos podem alcançar. Isso, provavelmente veio da indústria automobilística, que sempre produziu seus carros conceito para exibir em salões de automóveis pelo mundo.

A grande diferença é que o carro exibido não é uma abstração. É uma realidade, só que produzido com peças e componentes que ainda não tem penetração no mercado suficiente que justifique sua manufatura em larga escala. Já os vídeos são efeitos especiais produzidos para impressionar. E via de regra, são muito bacanas.

O que chama a atenção é o uso de efeitos digitais de maneira contida, feitos para parecerem reais. Via de regra mostram futuros aprazíveis, onde o homem usa a tecnologia com prazer e com qualidade de vida. O primeiro video que eu me lembro de ter visto com essa temática é da gigante inglesa de comunicações Vodafone. Infelizmente não o encontrei disponível mais, apenas algumas imagens. Mostrava basicamente interações de pessoas através de dispositivos, como carros, vitrines, relógios e papel digial. Interessante notar que, de alguma maneira, algumas previsões já estão se confirmando.

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Depois veio o da Microsoft, com previsões para 2019. Que está logo ali, daqui há 5 anos. O conceito da Microsoft é bem pé no chão, e não é dificil acreditar que aquelas coisas existirão.

 

Tem também este video da Airbus especulando sobre como será voar em 2050. Mais duro, todo em CGI, mas bem feito e bacana.

Outro bem bacana é o que a Corning, fabricante do Gorilla Glass (o vidro que possibilitou a criação de aparelhos multitouch) fez sobre sua visão. Bem na linha do que a Microsoft imagina.

Existem vários outros, cada um dando foco nos segmentos que a empresa atua. Mas o que eu gostaria de comentar é o video que a Ericsson produziu com o mesmo tema.

Se você perdeu seu tempo vendo, ele mostra um cara tentando marcar um encontro em sua casa com uma garota. A empresa aposta em aparelhos semi-conscientes, que falam com o sujeito e ficam “alegrinhos” com a visita da garota. E começam, sozinhos, a preparar a casa toda pro cara receber a dita-cuja. Mas dá errado. E  ele liga pra casa, conversando com o computador, cancelando tudo.

A casa então se re-prepara, com todos os mimos pro rapaz chegar. E ele fica tão confortável na companhia de seus gagdets falantes, que a mina liga de novo, e ele prefere nem responder.

Aterrorizante. Imaginar um futuro em que ficaremos tão individualistas que nossa carência vai ser preenchida pelo contato com máquinas, computadores e brinquedinhos. Em que trabalharemos até tarde e voltaremos sozinhos para apartamentos do tamanho de um ovo, mas cheios de tecnologia.

Me causa espanto que uma empresa de grande porte ache uma visão dessas é estimulante. Mas peraí, acho que esse futuro parece o mais provável. E que tipo de consumidor vai ser mais lucrativo para essas empresas? Os usuários felizes dos primeiros vídeos ou o rapaz soturno do último?

Os conceitos da Microsoft e os outros parecem com o futuro que queremos. Mas será que estamos trabalhando neles ou no da Ericsson?

Bom futuro!

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Os benefícios de trabalhar de casa

Depois que fiz a tradução desteartigo da FastcoDesign, dando conta de que trabalhar de casa torna as pessoas mais produtivas, a designer Allison Morris entrou em contato comigo, para divulgar um infográfico fantástico que ela fez sobre o mesmo tema, para o site CarInsurance.org. O orginal está aqui. Vale a pena dar uma olhada, realmente é muito interessante.

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