Propósitto entrevista Mateusz Kolek, ilustrador, da Polônia
Posted by Rodrigo | Filed under Entrevista, Ilustração
Como outros grandes que entrevistei, encontrei o trabalho de Mateusz Kolek via internet. E fiquei de boca aberta com seu estilo de multiinfluências, onde você encontra traço de quadrinho, se street art, de gravura, numa conjunção original e perfeita. Mateusz me deu uma entrevista bem humorada e direta, falando de suas influências, da vida de um ilustrador na Polônia e sua admiração pelo Brasil. Espero que o pessoal da New Yorker leia o artigo, tem uma bela chance de algo bacana acontecer!
Como, e quando, você começou a desenhar?
Pode soar um pouco estranho, mas realmente não me lembro, porque eu era uma criança. Eu sei que todo mundo costuma a desenhar quando é criança, mas eu acho que gostava mais do que meus amigos do jardim da infância.
Uma vez eu arranquei um tapete da sala de estar dos meus pais e desenhei um monte de peixes e vida marinha no chão. Eu eu me lembro que costumava a desenhar um vampiro careca segurando um diamante no topo de uma grande montanha. Quando eu penso a respeito hoje em dia, me parecem ambos grandes tópicos!
Como foi a decisão de se tornar um ilustrador em periodo integral?
Bom, desenhar era a única coisa que eu era bom, então a decisão foi bem fácil. Em teoria, pelo menos, porque nessa época eu estava estudando, e ilustração não era uma coisa muito popular na Polônia. Era dificil acreditar que um dia eu poderia fazer apenas isso. Antes de me tornar ilustrador em período integral eu costumava desenhar muitos storyboards para comerciais. Era legal ser financeiramente independente durante meus estudos mas, por outro lado, storyboards eram terrivelmente chatos. Três anos desenhando rostos felizes, frutas apetitosas e produtos brilhantes. Você pode imaginar… eu mudei para Valencia, Espanha por um ano, e ali eu decidi fazer meu portfólio apenas com projetos pessoais. Trabalho comissionado não era representativo o suficiente, como vocie pode imaginar. Eu consegui publicar o portfolio num site bastante popular sobre design, arte, fotografia e ilustração e assim foi.
Eu fiquei tão surpreso e excitado recebendo emails dos EUA, Inglaterra, Canadá, Brasil, Africa do Sul. Desde então, ilustrações são 99% do meu trabalho. A internet é uma coisa maravilhosa! As vezes eu temo que de algum modo a internet entre em colapso, e seria tão dificil quanto perder minha mão direita!
Como é a vida de um ilustrador na Polônia? Você acha que ilustradores e designers são reconhecidos pelas profissões que abraçaram?
Preciso dizer, chega a me acostumar mal. Eu sou um homem muito feliz porque meu trabalho me dá satisfação e tempo livre. Já que eu trabalho via internet, não tenho que me preocupar se a Polônia é um bom lugar para ilustradores ou não. Eu posso trabalhar para clientes do mundo todo. Mas a Polônia, em si, dá mais e mais oportunidades para mostrar o trabalho de ilustradores.
Se ilustradores e designers são reconhecidos na Polônia? Eu acho que se seus trabalhos são publicados em portais populares, em revistas e são aclamados internacionalmente, eles podem ser reconhecidos. Claro, pelas pessoas que são interessadas nesse campo da arte.
Conte um pouco sobre seu processo de trabalho. É sempre o mesmo? Você tem uma rotina?
Depende se eu estou trabalhando em um projeto pessoal ou comissionado, mas geralmente a coisa mais importante é a ideia. Quando estou pesquisando a melhor maneira de entregar, o melhor modo é fazer um monte de esboços. Uma vez que eu encontre uma composição e perspectivas que sejam apropriadas, eu começo a desenhar com tinta. O processo em si não é tão interessante então eu apenas vou dizer que no começo eu trabalho em papel, então eu escaneio e uso alguns programas.
A crise do euro está afetando o mercado editorial e de publicidade? Como os profisisonais estão lidando com isso?
Polônia é parte da União Européia, mas ainda não usa o euro. Isso nos faz menos suscetíveis à crise, mas ainda há uma grande influência na economia polonesa, claro. O campo editorial está encolhendo, mas eu acho que é mais por conta da “crise da impressa em papel”, que é mais geral do que as razões econômicas. As maiores revistas estão se movendo do papel para aplicações e isso reduz as ilustrações, mas creio que isso muda com o tempo.
Publicidade está tão bem quanto estava antes da crise, do meu ponto de vista, mas posso estar errado.
Quem (e o que) são suas maiores influências?
Eu adoraria dizer que minha inspiração está fora do campo da ilustração, mas a verdade é que eu adoro olhar o trabalho de outros. James Jean, Jamie Hewlett, Mike Mignola, Sam Weber, Jillian Tamaki, Mathew Woodson, Adrian Tomine, eles são todos incríveis! Eu acho que você pode facilmente encontrar influências de todos eles no meu trabalho. Isso pelo lado técnico.
O outro lado é um tópico. Eu creio que a coisa que mais me move para ilustrar é a necessidade de capturar um humor que eu não consigo de expressar de nenhum outro modo. E essa sensação pode vir com uma conversa, canção, filme, sentimento, paisagem. Quando se impregna em mim, o único modo de me livrar dela é desenhando.
Você tem hobbies? O que faz quando não está desenhando?
Eu amo cozinhar, comer, ler livros, ouvir música, ver filmes, tocar violão, matar um monte de tempo conversando com meus amigos. Coisas comuns, você sabe.
Olhando para seus desenhos, é dificil de dizer que técnicas você usa. Você pode nos contar? Você usa computador em seu trabalho?
Sim, eu uso computador, mas fico feliz que seja dificil de dizer, hahaha! Eu gostaria de um dia poder fazer meu trabalho sem ele, porque a técnica tradicional é tão mais elegante. Por outro lado, sou preguiçoso demais. Não tem Ctrl+Z em técnicas analógicas, sabia?
Se você pudesse escolher um projeto de sonho para fazer, qual seria? Você está próximo de realizar esse sonho?
Ainda estou procurando por ele. Quero dizer, não sei exatamente o que seria, mas estou bem convencido que teria a ver com desenhar. Quem sabe um mural gigante no Brasil? Ou uma história em quadrinhos, talvez um filme de animação, não sei.
Mas posso dizer a respeito do meu sonho profissional. Eu adoraria fazer a ilustração de capa para a revista New Yorker. Não sei se estou perto de realizar isso. Mas eu te aviso se receber um email deles
Você conhece o Brasil, ou artistas daqui?
Claro que eu conheço o Brasil, um dos meus sonhos é visitá-lo! Vocês tem tantos lugares maravilhosos aí! E tantos artistas incríveis! Kako, Will Murai, Lambuja, eu amo todos eles!
Tags: entrevista, illustração
Incríveis animais de origami
Posted by Rodrigo | Filed under Ilustração
Jeremy Kool é um designer e ilustrador que vive em Melbourne, que tem um projeto muito interessante.
Ele quer produzir um livro interativo feito numa técnica arrebatadora de origami, chamado de “The Paper Fox”.
Para angariar os fundos necessários para o projeto, ele está vendendo impressões em papel dos personagens do livro. Os modelos são maravilhosos, gostaria que ele estivesse vendendo os próprios origamis, que ficariam lindos em minha estante.
Você pode comprar as impressões aqui, ou acompanhar o blog do projeto, aqui.
Técnicas de crowdfunding como esta estão movimentando um mercado interessante. É um modo muito honesto de fazer coisas, que se dependessem de editoras grandes, interessadas em controle e nomes famosos, nunca veriam a luz do dia. Parabéns ao Jeremy pela iniciativa.
Pequenas empresas e design. Uma relação que precisa evoluir
Posted by Rodrigo | Filed under opinião
A pouco tempo visitei um prospect (cujo nome não vou revelar por motivos óbvios) que ilustra aquilo que gostaria de tratar nesse post.
O empresário é um pequeno fabricante de produtos alimentícios da região. Ao saber que tenho um estúdio de design, me chamou imediatamente, pois “precisava muito dos meus serviços”.
O proprietário é um senhor de forte personalidade, que está a muito tempo na área, e sabe muito a respeito do próprio negócio. Tive uma excelente impressão de sua fábrica. Tudo excepcionalmente limpo, claro. Me explicou que montou seu negócio com o que há de melhor. Me mostrou fornos importados, maquinário de primeira. Disse que treinou seu pessoal. Contou planos de expansão. Ao me explicar que faz eventos e monta restaurantes itinerários, disse que não é mesmo a opção mais barata, por que serve coisa boa.
“Já tenho uma pessoa que faz esse serviço de design para mim”, explicou. “Mas não está me atendendo bem. Eu peço uma coisa, ela demora, trava. Não me dá prioridade”. Me pediu orçamento para um pacote de serviços, com urgência, o que fiz prontamente.
Dias e dias depois, como não tive retorno dele, retomei o contato, para saber se houve algum problema. Sem muitos rodeios ele disparou: “Achei caro, Rodrigo”.
Argumentei que não era um pacote pequeno. Que haviam várias horas de trabalho envolvidas, que poderíamos conversar e rever as expectativas dele. Não teve muita conversa. Aparentemente, ele voltou a achar seu primeiro fornecedor (aquele que não o estava atendendo bem) uma opção mais viável.
Devo reconhecer que não sou o profissional mais barato do mercado. Nem quero ser. Não sou saco de cimento, ninguém me compra a quilo. Porém, estou longe de ser o mais caro. Como tenho uma estrutura enxuta, com poucos gastos, consigo manter um valor que considero justo, e até atraente.
A atitude do cliente está longe de ser algo isolado. Se estudarmos, poderemos entender o que está por trás, sem julgá-lo , sem demonizá-lo.
O pequeno empresário começou agora a perceber que precisa de design para sua empresa ser percebida. Isso é novo pra ele. Até pouco tempo, nem isso havia. Mas está entrando em seu sistema como uma obrigação. Um passo para se tirar da frente, assim como o contador e local de atendimento. Ele ainda não enxerga o design como peça fundamental no processo de construção de sua marca. Aliás, o conceito de possuir, ser dono de uma marca (e não somente de uma empresa) ainda não tocou o sino na cabeça do pequeno empresário brasileiro.
As grandes empresas, que são donas de grandes marcas, ja atentaram para essa realidade há algum tempo. Vemos casos de branding cada vez mais complexos, mais assertivos. Vemos empresas contratando CEOs que, à exemplo de Steve Jobs, têm senso estético apurado e bom trânsito com as áreas de marketing e criação.
Nas pequenas e médias empresas, no entanto, o que vemos é um distanciamento, um certo medo de confiar num designer, e uma atitude um tanto receosa quanto à esse profissional. Como se o empresário quisesse tirar logo essa etapa da frente. É comum ouvir dizer: “preciso do logo pra poder fazer cartão e começar a vender”. É como um tiro certo, mas fora do alvo. A empresa precisa sim, do logo, mas pensa nele como uma peça apartada. Como um processo separado do que a empresa é, não como parte de um processo que ajuda o empresário a definir suas metas e identidade.
Por isso, quando faz uma análise do profissional que vai escolher, acaba com o mais barato, ou soluções de crowsourcing, ou pior ainda, com o sobrinho mesmo. Afinal, é só uma “marquinha” que ele precisa, a loja (ou empresa) já está pronta, ele já tem os profissionais. Na cabeça desse profissional, aquele símbolo não representa mais do que algo bonitinho na fachada ou no cartão.
Na verdade, se analisarmos o mercado internacional, veremos que a situação é inversa. As grandes empresas investem quantias absurdas de dinheiro, é bem verdade. Mas justamente por estarem atreladas a compromissos com acionistas, conselhos enormes de diretores, com linha gigantes de produtos, todas as decisões tem a tendência de seguir por caminhos considerados seguros, e por consequência, com pouca inovação.
A grande ruptura, as ações mais inventivas e surpreendentes vêm das pequenas e médias. Por poderem experimentar, podem ousar. Podem tentar, e se não der certo, corrigir o rumo. Uma grande empresa raramente tem essa oportunidade.
São as pequenas empresas que mais interferem na paisagem urbana. A mudança de patamar visual nessas empresas faria muito mais bem às cidades do que qualquer projeto “Cidade Limpa”.
Pequenas empresas podem investir num relacionamento com seu designer muito especial. Onde aquele que te atende é o mesmo que sentará ao computador para desenvolver sua ação de marca. Onde o proprietário do estúdio pode visitá-lo pessoalmente, discutir com profundidade os rumos que pretende tomar. Ao ser atendido por uma grande agência, isso não vai mais acontecer. Via de regra, o empresário não terá contato com quem está cuidando de seu material.
Creio que o pequeno empresário brasileiro ainda acordará para essa realidade. Ainda verá o grande aliado que um bom design pode ser para seu negócio. E então, ele deixará de ver o design como um custo, e passará a ver como um investimento.
Empresas, designers e sociedade ganharão muito quando este dia chegar.
(As imagens desse post são de pequenas empresas do exterior que estão fazendo coisas bacanas em termos de design. Claro que existem empresas assim no Brasil, mas a facilidade de encontrá-las lá fora é bem maior…)
Tags: design, opinião, pequenas empresas
Revista da Propósitto – Todas as entrevistas!
Posted by Rodrigo | Filed under Entrevista
Quem acompanha o blog da Propósitto sabe que eu gosto muito de fazer entrevistas com designers, ilustradores e criativos que admiro. É a seção que mais gosto de realizar. Me dá a oportunidade de entrar em contato com os processos e modelos mentais de pessoas muito talentosas, o que me ajuda e me inspira. Acho que a troca de experiências com pessoas que atuam em mercados onde o design é uma atividade mais estabelecida, com regras e condutas mais claras tem muito a nos ensinar. Por isso, desde o princípio, o intuito foi disponibilizar para todos.
A seu modo, cada entrevista foi memorável. Falamos de sustentabilidade, de criatividade, de mercado, de ilustração, tipografia, música. No fim desse ano, quis presentear os leitores do blog de alguma maneira. E me veio a ideia de uma revista virtual. Algo que pudesse ser guardado, e que permitisse àqueles que leram alguma, mas não todas as entrevistas que as tivessem juntas. A meu ver, existe uma sabedoria intrínseca nelas. Algo que separadamente é mais dificil de ser percebido e alcançado.
Considero isso como um presente para todos que acompanharam o blog nesse ano e meio de existência. E os anúncios da revista são uma pequena retribuição a alguns clientes e amigos que fizeram muita direferença na história que a Propósitto está escrevendo.
Espero que gostem. Basta fazer o download, é só clicar na imagem com o botão direito do mouse e escolher a opção <Salvar link>.
Tags: design, designers, entrevistas, ilustração
8 segredos para pensar criativamente (dica: Roube dos outros)
Posted by Rodrigo | Filed under grandes designers, Uncategorized
Bob Gill é uma lenda, que está no meio do Design desde os anos 50. Passou por tudo, viu de tudo, praticamente fundou a Pentagram, e está na ativa até hoje, com uma mente privilegiada e um senso de humor refinado, um olhar para a profissão que poucos tem. Li esse artigo na FastCo Design e fiquei fascinado pela explicação do processo, pela jovialidade das ideias.
Tentei fazer uma entrevista com ele, que me respondeu bem categoricamente: “O que eu tinha pra dizer sobre o processo está no livro. Compre o livro, se sobrar alguma dúvida, eu te dou a entrevista”. Eu respondi que com certeza, comprarei. Mas resolvi traduzir a entrevista para que vocês, assim como eu, possam conhecer um pouco de Bob Gill, e comprar também.
Espero que gostem. Na sequência, o excerto do livro de Gill.
Nos anos 50, eu, juntamente com todos os outros designers, estávamos preocupados com estética e moda. Design era a mais nova familia tipográfica num layout moderno, paracendo com um Mondrian com muito espaço em branco. Isso era o que me ensinaram na escola de arte.
Eu não me lembro quando eu mudei. Se aconteceu com todos de uma vez, ou gradualmente. Eventualmente, inspirado por designers como Paul Rand, Lou Dorfsman e Helmut Krone, um diretor de arte no Doyle Dane Bernbach, juntamente com o pintor surrealista René Magritte, eu me tornei menos interessado em design por si só, e mais interessado em design que comunica uma opinião.
Isso foi 60 anos atrás. Hoje, é ainda mais incumbência do Designer Gráfico balançar as coisas, surpreender. Hoje, a audiência por Design Gráfico é a mesma audiência que terá visto o último filme de alienígenas e o último video-clipe com efeitos especiais que são de tirar o fôlego. Como um Designer pode competir com essa mágica em, vamos dizer, um anúncio de página inteira colorido, ou, mais improvável ainda, uma coluna em preto e branco para produtos chatos como pasta de dentes ou comida para gatos? Nós não temos a tecnologia, ou o orçamento, ou o tempo para competir com Avatar hoje, ou Deus sabe o que aparecerá amanhã. Se nós quisermos atrair atenção para nosso trabalho, temos que explorar a outra ponta do espectro visual. Nós temos que ir para a realidade. Nós devemos dar uma olhada cuidadosa no mundo real, e de fato, dizer para nossa audiência, “Olhe! Você já tinha notado isso? Estava bem debaixo do seu nariz!”
E aí tem outra coisa sobre a situação atual que Designers tem que reconhecer. Antes dos computadores, a produção de material impresso estava nas mãos de Designers e impressores. A maioria dos clientes tinha apenas uma vaga noção de como era produzido. E eles estava preparados para pagar bem por seus logos, relatórios anuais, e outros papéis de seus negócios.
Mas essa não é a forma agora. Agora, por R$ 99,99, é possível comprar um programa que permite qualquer um com uma estação de trabalho montada produzir muitas das coisas normais do negócio. A mística foi finalmente embora no meio do Design e impressão. Esses programas juntam palavras e imagens em formatos que parecem profissionais. Eles até jogam alguns efeitos-especiais. Para necessidades comerciais de pouca exigência, está ótimo.
Então, se qualquer um que consiga digitar pode fazer boa parte do trabalho anteriormente feito por especialistas bem pagos, o que sobra para os Designers? Eles têm que fazer coisas que um digitador não consegue. Isso significa que eles têm que ser pensadores, solucionadores de problemas, quer eles gostem ou não. E, infelizmente, pensar não é o primeiro amor de um Designer. Eles adoram escolher cores, movers tipos e formas por aí, desenhar num estilo particular, e impor os últimos truques gráficos em seu próximo trabalho, independente se eles são apropriados ou não. Eles pegam esses truques da Cultura.
A Cultura deu a eles preconcepções sobre o que é excitante, o que é interessante; e a maioria dos Designers gastam seu tempo tentando emular o que deveria ser quente, o que é atual, o que é tendência. Mas apenas pense, se nós queremos fazer algo que seja original, como podemos nos basear naquilo que a Cultura nos diz? A Cultura fala a todos nós as mesmas coisas. Não é o Big Brother que está te olhando, é a Disney, o Shopping Channel, Rupert Murdoch, a Time e outras mega-corporações.
A Cultura que eles infligem em nós através de seus monopólios virtuais de TVs a cabo, CDs, filmes, teatros, livros e revistas, etc, é desenhada para apelar para o menor denominador comum, que por sua vez permite que eles vendam o maior número de tchotchkes. Claro que o establishment permite apenas o suficiente de cultura mais alta para provar que eles não são filisteus.
Como você pode se retirar dessa avalanche de pão branco, para que você possa ser um pensador original?
Processo
A primeira coisa é limpar sua mente do quanto mais bagagem cultural for possível. Quando você consegue um trabalho, independente do quanto o assunto for familiar, resista a toda tentação de pensar que sabe o suficiente a respeito, e que está pronto para desenhar. Assuma que toda a informação e referências visuais foram supridas pela Máfia da Cultura, nada é original com você. Pesquise o assunto como se você não soubesse nada a respeito. Não procure por inspiração em livros de Design. Não sente em seu computador, esperando por um raio o acertar.
(Um dos trocadilhos visuais de Gill: “Fumar um cachimbo faz você… .parecer mais elegante)Se o trabalho for para uma lavadora a seco, vá a uma lavadora a seco. E fique lá até você ter algo que você honestamente pense que é interessante a dizer sobre lavagem a seco. Eu não sei exatamente como fazer isso. De qualquer maneira, eu sei que , quanto mais você pesquisar o assunto, mais provavelmente você poderá descobrir algo realmente interessante, ou melhor ainda, algo original, algo que ninguém notou antes. (Incidentalmente, às vezes mesmo que eu não esteja fazendo um trabalho sobre lavagem a seco, eu vou lá de qualquer jeito, só para pegar um vapor das máquinas).
Só quando você estiver satisfeito com a afirmação, o processo de Design pode começar. Tente esquecer como um bom design supostamente deveria ser. Ouça a afirmação. Ela vai dizer a você como deveria parecer. Ela vai desenhar a si mesma. Bem, quase.
O logo da AGM, que Gill criou.
O problema é o problema.
A melhor forma de ter uma solução interessante é começar com um problema interessante. Infelizmente, quase todos os problemas que os Designers costumam ter serão chatos. Portanto, a primeira coisa a se fazer é redefinir o problema, para que ele seja interessante.
Por exemplo: Problema original: Logo para AGM, uma companhia que faz modelos industriais muito pequenos. O cliente queria que o logo fosse grande o suficiente para ser visto em seu prédio e em suas vans de entrega.
Problema redefinido: Como o logo da AGM pode ser grande o suficiente para ser visto na lateral de seu prédio e, ao mesmo tempo, comunicar que a companhia faz coisas muito pequenas?
Roubar é bom
A pessoas vêm gerando imagens a milhares de anos. Imagens como Raios X, bandeiras, fotos da lua da Nasa, máscaras de teatro, sinalização pública, a Monsa Lisa, daguerreótipos da Guerra Civil, grafite, gravuras, desenhos de engenharia, etc. Estas imagens, dependendo de como são usadas e/ ou modificadas, podem transcender seus propósitos originais e estreitos. Elas podem representar um periodo cultural ou uma ideia muito específica. E se um designer pode usá-las de modos nunca antes concebidas por seus criadores, eu acho que é legítimo liberá-las.
Não existe essa coisa de clichê ruim.
Caveira e ossos dizem pirata. Estrela e listras dizem América. Uma lupa diz detetive. Um coração diz eu te amo. A boa notícia é que esses clichês comunicam instantâneamente. A má notícia é que essas imagens comuns foram usadas com tanta frequência que elas não são mais visualmente interessantes. Porém, se elas forem usadas de maneiras novas, elas podem ser muito eficazes.
Palavras interessantes.
Veja um slogan como: Nós curamos câncer por um nickel. Não é necessário fazer as palavras parecerem interessantes. Elas são interessantes. Se você tentar fazer uma afirmação parecer interessante, o visual compete com as palavras.
Palavras chatas.
A maioria dos Designers não são roteiristas muito bons. A maioria dos roteiristas também não são. Então, se você se encontrar precisando de desenhar algo com palavras chatas, não tente fazê-las interessantes. Deixe as imagens fazerem o trabalho pesado.
Palavras em figuras
Para que se importar em ilustrar uma palavra… se a palavra por si só pode ser a ilustração, como no caso desse logo para uma comédia.
Todo mundo sabe que menos é mais. Mas as vezes, mais pode ser mais também.
Me pediram para fazer um logo para a Nast & Zalben Productions, um serviço de planejamento de eventos. Quando eles me contaram a respeito das várias coisas que eles tinham produzido nos últimos 12 meses, eu pensei que seria interessante e novo incluir todas elas no logo. Eu até adicionei algumas que eles não fizeram, só pela diversão.
Esse é um excerto da monografia Bob Gill, so far (Outubro de 2011). Foi traduzido do site http://www.fastcodesign.com/
Você pode comprar o livro aqui
Bob Gill é co-fundador da consultoria em Design F/F/G, com Alan Fletcher e Colin Forbes. Mais tarde, foi renomeada Pentagram. Ele é autor de mais de uma dúzia de livros.
Tags: bob gill, criatividade, design, pentagram, process
Rótulos antigos de Vinhos de São Roque
Posted by Rodrigo | Filed under Embalagem
Como vocês sabem, a Propósitto está localizada em São Roque, uma pequena cidade de 75 mil habitantes a 60km de São Paulo. São Roque é conhecida até hoje por sua relação com a produção de vinho. Essa relação, embora exista até hoje, principalmente por conta da empresa que mais cresceu na região, a vinícola Góes, já foi muito maior. No passado, São Roque chegou a ter mais de 100 vinícolas em funcionamento. Hoje restam pouco mais de 15.
O vinho de São Roque nunca chegou a ter uma boa aceitação de apreciadores, mas tem boa penetração no público mais simples, acostumados com vinhos doces, feitos com uvas de mesa. Atualmente, os maiores produtores adquiriram ou fizeram parcerias com vinicolas do Rio Grande do Sul, afim de oferecer um vinho de maior qualidade.
Minha esposa, a Gabriela Victor, do Todas as Mesas está fazendo um curso de Enoturismo promovido por aqui. Ela me trouxe, das suas aulas, um tesouro. São dezenas de rótulos de vinhos e bebidas dos tempos áureos de São Roque. Eles compreendem várias vinícolas, principalmente dos anos 50 até 70. É interessante ver, que numa época com pouca conectividade mundial, o surgimento de tendências e linguagens regionais. Os rótulos tem um padrão que difere do visual de vinhos importados, mas têm características próprias.
Não tive como resistir, tinha que postar esse achado na mesma hora. Clique nas imagens para versões bem maiores.
Espero que vocês curtam!
Tags: embalagem, old, são roque, vinhos, vintage
Lindas ilustrações para a edição de 1949 de Alice no País das Maravilhas
Posted by Rodrigo | Filed under Ilustração
Encontrei no site http://io9.com/ uma série de ilustrações feitas para Alice no País das Maravilhas, para uma edição de 1949 do livro.
Como vocês podem ver, é um trabalho lindíssimo, que foge completamente de todas as visões do mesmo tema que eu já havia visto. As ilustrações, que foram feitas para a segunda edição do livro, sõa de Leonard Weisgard, falecido em 2000.
Tags: alice in wonderland, illustration, water color
Como o mercado vê o Designer
Posted by Rodrigo | Filed under opinião
Não acredite em mim. Acredite no google.
O Google, além do uso óbvio para se encontrar qualquer coisa na face da terra, pode servir como um excelente termômetro do mercado. Eu vinha há algum tempo encafifado, procurando um modo de exemplificar como a sociedade vê os designers, e como isso influencia nos nossos resultados.
Faça um exercício comigo. Vá até o Google Imagens, e digite: administrador de empresas.
Sei que os resultados podem mudar de um dia pro outro. Mas o que você vai obter é mais ou menos isso (clique, que elas aumentam):
Jovens, adultos, profissionais, poder, ternos e tailleurs.
Agora busque “médico” .
Senhores, serviço, seriedade, austeridade, equipe, confiança.
Para continuar, agora “engenheiros”.
Capacetes, obras, papéis enrolados, sucesso, trabalho.
E por fim. Busque: “designer”.
Eu não sei o que vocês vêem. Apesar de haver uma ou duas imagens boas, o que eu vejo é: legal, bacaninha, engraçadinho, espertinho, descolado. E sem nenhuma foto de um profissional.
É assim que o mundo te vê.
Há problema nisso? Bom, eu vejo.
Como um profissional que cuida rotineiramente de marcas, você deve saber o que um posicionamento errado faz com um produto. O quanto ele pode ajudar ou atrapalhar. A imagem errada pode afundar um bom produto, sabemos disso, passamos por isso dia-a-dia. Mas não nos enxergamos como produtos. Não sabemos nos vender.
O que está intrínseco nessa maneira que as profissões são percebidas fica totalmente claro quando qualquer um desses profissionais é contratado, seja por um cliente, seja por uma empresa. Quando uma empresa abre um cargo de Diretor Admnistrativo, está implícito que ele deve pagar um salário compatível com a imagem que o mercado faz de um administrador de empresas. No carro, na casa, nas viagens e na continuidade da educação que um administrador projeta. Mesma coisa com um engenheiro, ou com um médico.
Não estou aqui comparando as profissões, e sim a percepção do mercado em relação a elas. É claro que um médico é mais importante que um designer na sociedade, mas o fato é que todos consomem muito mais design do que medicina ao andar por uma rua, ao ligar a TV ou ir ao supermercado. O mundo está inundado de design, até nas caixas de remédio.
E qual seria a imagem que o mundo tem de nós? Bom, eu fui atrás de amigos, fiz uma pequena pesquisa informal, sem dados para sustentar o que vou expor, por isso sinta-se livre para achar tudo que direi uma perda de tempo.
De uma maneira geral, os designer são vistos como sujeitos jovens, meio avoados, que usam roupas “bacanas”, alargadores nas orelhas e trabalham de tênis. São engraçados, divertidos e felizes. Moram em apartamentos alugados, de um dormitório, com brinquedinhos legais nas estantes, e dirigem algo como um Peugeot 206 ou um Uno Novo.
Ninguém lembra se designer tem ou não filhos, ou se faz pós-graduação, se viaja com a familia, se tem casa de campo. Coisas que são normais para outras profissões.
E como isso nos afeta?
1 – Na hora de cobrar pelo trabalho.
É o maior impacto. Seu cliente vai chorar, negociar muito mais do que o normal. E mesmo depois que ele conseguir um super desconto, vai cobrá-lo mais fortemente do que cobraria outro profissional. Vai se sentir no direito de usar palavras que não usaria com um médico. Vai achar um absurdo ter que assinar um contrato que seria natural com um advogado.
Clientes de designers acham normal pedir um trabalho e depois sumir. Pagar uma prestação e esquecer as outras. Acham desculpável dizer “eu fiquei sem tempo de revisar” por três meses. São coisas que não acontecem com frequência em outras áreas. Isso porque, no fundo, acham que você “é o cara que faz uns desenhos”. Não um profissional.
2 – Na hora de te contratar.
Pegue uma tabela de salários. Um diretor administrativo ganha facilmente até R$ 40 mil. Um diretor de marketing R$ 30 mil. E um diretor de arte (salvo os que vivem no mundo à parte das grandes agências) muito bem sucedido, ganhará R$ 8 mil. Mas a grande e avassaladora maioria trabalhará por no máximo três mil reais. E olhe lá. Quando uma linha de produtos for bem sucedida, darão parabéns ao marketing, nunca ao departamento de arte. Aliás, o próprio nome “departamento de arte” já é revelador. Parece que, ao entrar na sala, o cliente encontrará dezenas de sósias do Salvador Dali sujos de tinta. Deveria ser “Departamento de Design, Comunicação e Criação”. Assim mesmo, com criação por último.
O RH de uma empresa nem pensa em contratar grandes profissionais para seu setor. O padrão é um profissional razoável, tomando conta de hordas de recém-formados e estagiários que farão o serviço pesado com sorrisos nos rostos e um fone na orelha.
Trabalho de fim de semana? Horas extras? Promoções? Essas coisas raramente passam pela cabeça do contratante. Na ideia que ele faz de um designer, isso é inerente à profissão, e desde que se pague uma pizza, está tudo beleza, porque nós nos estamos antes de tudo, nos divertindo.
3 – Na hora de viver sua vida
Acompanho jovens e promissores designers ávidos por colocar as mãos em grandes trabalhos aceitarem condições desumanas de trabalho apenas para terem a oportunidade de “fazer uma capa”, ou um “logo de surfwear”, coisas que são muito “bacanas” no inconsciente coletivo dos designers. Bem, caros, isso raramente leva comida a mesa, ou paga a escola do seu filho.
Mais cedo ou mais tarde você poderá querer comprar aquela casa, ou aquele carro. E vai precisar levar comprovações de renda, carteiras assinadas, extratos de banco e todo o pacote que vem junto. E aí você vai sentir essa diferença.
Não há problema em gostar do que se faz. Puxa, na verdade é uma benção.
Mas quando o mercado traduz esse gosto como pura diversão, algo está errado. E vai se voltar contra você.
Como mudar o panorâma?
Essa é uma daquelas coisas que é mais fácil falar do que fazer. Mas é simples.
A primeira coisa é aprender a dizer não. Parece óbvio, mas a verdade é que certos nãos nos libertam. Desenhe uma linha imaginária no chão, e diga “daqui não passo. É o máximo que aguento”.
Não é necessário mandar apagar a laser as tatoos, ou costurar os buracos dos piercings. Mas é sim, necessário saber se portar numa reunião com diretores e presidentes. Saber falar um português (quase) perfeito, sem gírias ou terminologias que só designers entendem.
Precisa sair do gueto. Aquele gueto de luxo, onde se anda só com designers, publicitários, redatores e criativos. Há um mundo de pessoas interessantes, negócios inovadores e soluções que você não vai encontrar dentro da caixa onde está.
Veja a si mesmo como um produto. Você consegue desenhar uma caixa que faz as pessoas quererem comprar sabonete de farelo de aveia, mas não consegue descobrir porque as pessoas não querem comprá-lo? Pense.
É um trabalho árduo. Nossa profissão é nova, e temos um caminho longo pela frente. O que me assusta é que ás vezes tenho a sensação de que estamos nos distanciando do ideal, não chegando lentamente a ele.
Tenha a certeza de que, por menor que seja sua mudança de atitude, ela ajuda. Pouco a pouco, podemos fazer um novo horizonte para designers no país, sem precisar de sindicalistas ou políticos.
Tags: design, designer, mercado, regulamentação, salário
Em que Steve Jobs me inspira?
Posted by Rodrigo | Filed under Inspiração
Nesta última noite Steve Jobs perdeu uma batalha que vinha travando com bravura desde 2004, contra um câncer de pâncreas.
Nós próximos dias e meses, uma infinidade de homenagens, documentários e reportagens vão nos lembrar de cinco em cinco minutos de todas as invenções e criações de Jobs, o quanto o mundo do entretenimento e informática deve a ele.
Jobs não era uma unânimidade. Há muita gente que o acusa de ser muito mais um grande marketeiro do que um criador. Não compartilho dessa corrente. Mesmo que ele tenha visto um mouse na Xerox ou um design de produto da Braun antes de lançar produtos parecidos, foi a visão dele que mudou o rumo da conversa. Foi a capacidade de ver coisas dentro de um contexto diferente, antes de todos, que o diferenciava.
Mas acho que temos mais a aprender com Steve Jobs do que simplesmente fundamentos de marketing ou de informática. Podem falar o que quiserem dele, mas suas decisões eram pautadas em conceitos bem palpáveis, coisas que ele próprio explicitou por sua carreira. Algumas que me vem a mente agora:
Escolha trabalhar com prazer.
Muitas vezes não há nada mais desconfortável do que a chamada “Zona de Conforto”. É aquela situação onde você, dia-a-dia, vive infeliz, ou semi-feliz, preso num trabalho, num relacionamento, num lugar que não gosta, que faz porque é conveniente, porque tem medo de não ser capaz de algo melhor. Desde a época que não tinha grana, Jobs escolheu o trabalho por prazer. Quando tinha muito a perder (ao sair da Apple), foi fundar uma empresa de animação.
Estude
Algumas pessoas vêem em Jobs um estímulo a falta de formação acadêmica. Isso é uma conclusão míope. Jobs pode ter sido um caso quase único, de uma pessoa que sabia mais do que havia para ser ensinado. Mas estudou muito, a vida inteira, as coisas que lhe interessavam. Se desse pouco valor à vida acadêmica, a Apple seria o paraíso dos autodidatas. Não é o caso.
De sua trajetória, só posso concluir que, para abrir mão de estudo, só se você for absolutamente genial. E poucos podem dizer isso.
Faça seu trabalho falar por você
Jobs falava muito em entrevistas. Dizem que, pessoalmente, nem tanto. Era mais reservado, chamava ao seu círculo mais próximo pouquíssimas pessoas. Mas uma característica domina suas entrevistas e os famosos keynotes. Ele usa pouco a palavra “eu”. Mesmo sendo dono de um ego, que dizem, era considerável, em suas apresentações Jobs usava “nós”. “Nós amamos software”, “Nós estamos maravilhados”.
Parece pouco, mas nessa sutileza, ele está empoderando toda a Apple pelas inovações. Um executivo que diz “eu” demais, está olhando tanto pro seu próprio umbigo que dificilmente conseguirá ver a inovação passando na frente de seus olhos.
Pratique aquilo que você prega
Outra coisa notória é que Jobs falava sobre seu trabalho. De sua vida sabe-se muito pouco. Sabemos que ele era Budista que usava sempre a mesma roupa, talvez seguindo o exemplo de Albert Einstein (que tinha o guarda roupas inteiro igual, para não perder energia decidindo o que vestir), e de sua familia, quase não se sabe.
O sonho de Jobs era uma sociedade servida por máquinas elegantes e funcionais, que tornasse a vida das pessoas mais fácil e divertida. Seus produtos exalam isso. E ele se manteve até o fim nesse caminho, desde que achou que um mouse era mais natural que um teclado, até quando achou que usar as próprias mãos era mais natural do que o mouse. Simplicidade.
O pouco que se sabe de sua vida pessoal reforça isso. Ele era dono do escritório mais simples de toda a Apple, sua casa quase não tinha móveis. Era ultra exigente, mas dava os meios, métodos e o tempo necessários para que seus funcionários atingissem sua meta.
Trabalhe com gente melhor do que você (e deixe eles trabalharem)
Outro argumento que alguns usam contra Jobs é que grande parte das sua invenções são de outros. Estranho, eu vejo isso como um ponto forte. Steve sempre se associou com gente melhor do que ele em determinadas áreas.
Ele nunca escondeu Steve Wozniak. Wozniak é que nunca gostou do holofote. Johnny Ives, responsável pelo design da Apple, sempre apareceu nos vídeos de lançamento dos produtos que ele criava. Ninguém tinha ouvido de Tim Cook (fora do mundo empresarial) até que o próprio Jobs o apresentou ao mundo.
Na verdade, o que aconteceu é que essas pessoas rendiam muito mais ao lado de Steve Jobs. Trabalhando na Apple, sob a visão de Steve, ele alcançaram um patamar que antes, por si sós, não conseguiam.
Essa é uma das mais valiosas lições que eu vejo para líderes. Deixe a inovação acontecer, mesmo que você não seja protagonista dela. O mundo empresarial atual é um verdadeiro abatedouro de ideias. Alguns gênios decretam a morte de ideias antes de mesmo pensar um minuto a respeito, e muitas vezes varrem a inovação pra baixo do tapete, sob o medo de serem suplantados. Se você alcançou uma posição de liderança, só conseguirá mantê-la se tiver certeza de que entre seus comandados, existe potencial para ir mais longe do que você mesmo foi.
Se essas pessoas se sentirem inspiradas por sua liderança, estarão dispostas a criar para você ( é o caso da Apple). Mas se for o contrário, tudo que você conseguirá são bolsões de inovação esperando a pressão certa para estourar como um geiser. E vão estourar sobre suas costas, com certeza.
Saiba quem você é
Faça o que fizer, seja você mesmo no trabalho. Isso pode parecer uma frase de livro auto-ajuda, mas é muito mais dificil de ser aplicada do que parece. Tendemos a criar personas para fazer interfaces com nossos diferentes interlocutores. Isso funciona até determinado ponto. Mas no fim, vai te causar um cansaço enorme de representar tantos papéis.
Ninguém é 100% genuíno o tempo todo. Mas as vezes nos “maquiamos” demais. Sempre haverá um nicho, um público, um segmento onde seu modo de ver a vida será melhor aceito, e lhe trará menos dor. O caso é que nem sempre é o nicho que nó queremos. Temos uma tendência a querer a vida do outro. A negar nossa própria constituição, e isso muitas vezes sufoca valores.
Aprender a tirar o melhor de si, sendo apenas você, é um desafio e tanto. Jobs nunca fez concessões. Tanto que foi mandado embora de sua própria empresa. Mas soube encontrar motivação, quando chegou a conclusão de que ele não estava no ramo de informática, e sim de inovação. Se reinventou, e fez uma das maiores voltas por cima da história.
Pouco importa se tudo que aquilo que dizem sobre Steve Jobs é verdade. Sei que ele não inventou o fogo nem o pão de forma. O que interessa é aquilo que ele inspira nas pessoas. Ele pode ter sido um grande gênio, ou como querem alguns um grande aproveitador. Mas foi grande, isso é um consenso. E isso é mais do que a grande maioria de nós consegue.
Tags: apple, inovação, iPad, iPhone, steve jobs
A estética dos filmes jovens dos anos 50
Posted by Rodrigo | Filed under Ilustração, Poster
Quando se fala em juventude rebelde, quebrando tabus, lembramos sempre dos anos 60. Foi quando o movimento Hippie ganhou força, onde a galera gritou por paz, por liberdade sexual e de expressão, onde realmente o mundo mudou.
Mas se o jovens sessentistas corriam atrás de paz, os da geração anterior, os austeros anos cinquenta, queriam violência, transgressão e cultivar a fama de bad boys. Pelo menos éo que transparece ao ver esses posteres de filmes dos anos 50. Influenciados por ídolos como Marlon Brando e James Dean, e claro, pela recente explosão do Rock and Roll, os filmes para jovens dessa época sempre colocavam em situações limite, entre gangues e garotas-fatais, com os “adultos” sempre em papéis caretas, de policiais e médicos. Quase sempre eram estrelados por atores que nunca mais fizeram nada.
Vale a pena prestar atenção a detalhes que ficaram estampados na cultura. O estilo das fontes, sempre gritantes, o uso de slogans mais do que galhofas, as cores fortes e desenhos de garotas sensuais. Esse estilo até hoje é sinonimo de literatura pulp, de cultura de segunda categoria.
Eu me diverti encontrando essas pérolas. Cliquem, que elas ficam bem maiores.
Tags: art, design, movies, poster, tipografia















































































































