Lindas ilustrações para a edição de 1949 de Alice no País das Maravilhas
Posted by Rodrigo | Filed under Ilustração
Encontrei no site http://io9.com/ uma série de ilustrações feitas para Alice no País das Maravilhas, para uma edição de 1949 do livro.
Como vocês podem ver, é um trabalho lindíssimo, que foge completamente de todas as visões do mesmo tema que eu já havia visto. As ilustrações, que foram feitas para a segunda edição do livro, sõa de Leonard Weisgard, falecido em 2000.
Tags: alice in wonderland, illustration, water color
Como o mercado vê o Designer
Posted by Rodrigo | Filed under opinião
Não acredite em mim. Acredite no google.
O Google, além do uso óbvio para se encontrar qualquer coisa na face da terra, pode servir como um excelente termômetro do mercado. Eu vinha há algum tempo encafifado, procurando um modo de exemplificar como a sociedade vê os designers, e como isso influencia nos nossos resultados.
Faça um exercício comigo. Vá até o Google Imagens, e digite: administrador de empresas.
Sei que os resultados podem mudar de um dia pro outro. Mas o que você vai obter é mais ou menos isso (clique, que elas aumentam):
Jovens, adultos, profissionais, poder, ternos e tailleurs.
Agora busque “médico” .
Senhores, serviço, seriedade, austeridade, equipe, confiança.
Para continuar, agora “engenheiros”.
Capacetes, obras, papéis enrolados, sucesso, trabalho.
E por fim. Busque: “designer”.
Eu não sei o que vocês vêem. Apesar de haver uma ou duas imagens boas, o que eu vejo é: legal, bacaninha, engraçadinho, espertinho, descolado. E sem nenhuma foto de um profissional.
É assim que o mundo te vê.
Há problema nisso? Bom, eu vejo.
Como um profissional que cuida rotineiramente de marcas, você deve saber o que um posicionamento errado faz com um produto. O quanto ele pode ajudar ou atrapalhar. A imagem errada pode afundar um bom produto, sabemos disso, passamos por isso dia-a-dia. Mas não nos enxergamos como produtos. Não sabemos nos vender.
O que está intrínseco nessa maneira que as profissões são percebidas fica totalmente claro quando qualquer um desses profissionais é contratado, seja por um cliente, seja por uma empresa. Quando uma empresa abre um cargo de Diretor Admnistrativo, está implícito que ele deve pagar um salário compatível com a imagem que o mercado faz de um administrador de empresas. No carro, na casa, nas viagens e na continuidade da educação que um administrador projeta. Mesma coisa com um engenheiro, ou com um médico.
Não estou aqui comparando as profissões, e sim a percepção do mercado em relação a elas. É claro que um médico é mais importante que um designer na sociedade, mas o fato é que todos consomem muito mais design do que medicina ao andar por uma rua, ao ligar a TV ou ir ao supermercado. O mundo está inundado de design, até nas caixas de remédio.
E qual seria a imagem que o mundo tem de nós? Bom, eu fui atrás de amigos, fiz uma pequena pesquisa informal, sem dados para sustentar o que vou expor, por isso sinta-se livre para achar tudo que direi uma perda de tempo.
De uma maneira geral, os designer são vistos como sujeitos jovens, meio avoados, que usam roupas “bacanas”, alargadores nas orelhas e trabalham de tênis. São engraçados, divertidos e felizes. Moram em apartamentos alugados, de um dormitório, com brinquedinhos legais nas estantes, e dirigem algo como um Peugeot 206 ou um Uno Novo.
Ninguém lembra se designer tem ou não filhos, ou se faz pós-graduação, se viaja com a familia, se tem casa de campo. Coisas que são normais para outras profissões.
E como isso nos afeta?
1 – Na hora de cobrar pelo trabalho.
É o maior impacto. Seu cliente vai chorar, negociar muito mais do que o normal. E mesmo depois que ele conseguir um super desconto, vai cobrá-lo mais fortemente do que cobraria outro profissional. Vai se sentir no direito de usar palavras que não usaria com um médico. Vai achar um absurdo ter que assinar um contrato que seria natural com um advogado.
Clientes de designers acham normal pedir um trabalho e depois sumir. Pagar uma prestação e esquecer as outras. Acham desculpável dizer “eu fiquei sem tempo de revisar” por três meses. São coisas que não acontecem com frequência em outras áreas. Isso porque, no fundo, acham que você “é o cara que faz uns desenhos”. Não um profissional.
2 – Na hora de te contratar.
Pegue uma tabela de salários. Um diretor administrativo ganha facilmente até R$ 40 mil. Um diretor de marketing R$ 30 mil. E um diretor de arte (salvo os que vivem no mundo à parte das grandes agências) muito bem sucedido, ganhará R$ 8 mil. Mas a grande e avassaladora maioria trabalhará por no máximo três mil reais. E olhe lá. Quando uma linha de produtos for bem sucedida, darão parabéns ao marketing, nunca ao departamento de arte. Aliás, o próprio nome “departamento de arte” já é revelador. Parece que, ao entrar na sala, o cliente encontrará dezenas de sósias do Salvador Dali sujos de tinta. Deveria ser “Departamento de Design, Comunicação e Criação”. Assim mesmo, com criação por último.
O RH de uma empresa nem pensa em contratar grandes profissionais para seu setor. O padrão é um profissional razoável, tomando conta de hordas de recém-formados e estagiários que farão o serviço pesado com sorrisos nos rostos e um fone na orelha.
Trabalho de fim de semana? Horas extras? Promoções? Essas coisas raramente passam pela cabeça do contratante. Na ideia que ele faz de um designer, isso é inerente à profissão, e desde que se pague uma pizza, está tudo beleza, porque nós nos estamos antes de tudo, nos divertindo.
3 – Na hora de viver sua vida
Acompanho jovens e promissores designers ávidos por colocar as mãos em grandes trabalhos aceitarem condições desumanas de trabalho apenas para terem a oportunidade de “fazer uma capa”, ou um “logo de surfwear”, coisas que são muito “bacanas” no inconsciente coletivo dos designers. Bem, caros, isso raramente leva comida a mesa, ou paga a escola do seu filho.
Mais cedo ou mais tarde você poderá querer comprar aquela casa, ou aquele carro. E vai precisar levar comprovações de renda, carteiras assinadas, extratos de banco e todo o pacote que vem junto. E aí você vai sentir essa diferença.
Não há problema em gostar do que se faz. Puxa, na verdade é uma benção.
Mas quando o mercado traduz esse gosto como pura diversão, algo está errado. E vai se voltar contra você.
Como mudar o panorâma?
Essa é uma daquelas coisas que é mais fácil falar do que fazer. Mas é simples.
A primeira coisa é aprender a dizer não. Parece óbvio, mas a verdade é que certos nãos nos libertam. Desenhe uma linha imaginária no chão, e diga “daqui não passo. É o máximo que aguento”.
Não é necessário mandar apagar a laser as tatoos, ou costurar os buracos dos piercings. Mas é sim, necessário saber se portar numa reunião com diretores e presidentes. Saber falar um português (quase) perfeito, sem gírias ou terminologias que só designers entendem.
Precisa sair do gueto. Aquele gueto de luxo, onde se anda só com designers, publicitários, redatores e criativos. Há um mundo de pessoas interessantes, negócios inovadores e soluções que você não vai encontrar dentro da caixa onde está.
Veja a si mesmo como um produto. Você consegue desenhar uma caixa que faz as pessoas quererem comprar sabonete de farelo de aveia, mas não consegue descobrir porque as pessoas não querem comprá-lo? Pense.
É um trabalho árduo. Nossa profissão é nova, e temos um caminho longo pela frente. O que me assusta é que ás vezes tenho a sensação de que estamos nos distanciando do ideal, não chegando lentamente a ele.
Tenha a certeza de que, por menor que seja sua mudança de atitude, ela ajuda. Pouco a pouco, podemos fazer um novo horizonte para designers no país, sem precisar de sindicalistas ou políticos.
Tags: design, designer, mercado, regulamentação, salário
Em que Steve Jobs me inspira?
Posted by Rodrigo | Filed under Inspiração
Nesta última noite Steve Jobs perdeu uma batalha que vinha travando com bravura desde 2004, contra um câncer de pâncreas.
Nós próximos dias e meses, uma infinidade de homenagens, documentários e reportagens vão nos lembrar de cinco em cinco minutos de todas as invenções e criações de Jobs, o quanto o mundo do entretenimento e informática deve a ele.
Jobs não era uma unânimidade. Há muita gente que o acusa de ser muito mais um grande marketeiro do que um criador. Não compartilho dessa corrente. Mesmo que ele tenha visto um mouse na Xerox ou um design de produto da Braun antes de lançar produtos parecidos, foi a visão dele que mudou o rumo da conversa. Foi a capacidade de ver coisas dentro de um contexto diferente, antes de todos, que o diferenciava.
Mas acho que temos mais a aprender com Steve Jobs do que simplesmente fundamentos de marketing ou de informática. Podem falar o que quiserem dele, mas suas decisões eram pautadas em conceitos bem palpáveis, coisas que ele próprio explicitou por sua carreira. Algumas que me vem a mente agora:
Escolha trabalhar com prazer.
Muitas vezes não há nada mais desconfortável do que a chamada “Zona de Conforto”. É aquela situação onde você, dia-a-dia, vive infeliz, ou semi-feliz, preso num trabalho, num relacionamento, num lugar que não gosta, que faz porque é conveniente, porque tem medo de não ser capaz de algo melhor. Desde a época que não tinha grana, Jobs escolheu o trabalho por prazer. Quando tinha muito a perder (ao sair da Apple), foi fundar uma empresa de animação.
Estude
Algumas pessoas vêem em Jobs um estímulo a falta de formação acadêmica. Isso é uma conclusão míope. Jobs pode ter sido um caso quase único, de uma pessoa que sabia mais do que havia para ser ensinado. Mas estudou muito, a vida inteira, as coisas que lhe interessavam. Se desse pouco valor à vida acadêmica, a Apple seria o paraíso dos autodidatas. Não é o caso.
De sua trajetória, só posso concluir que, para abrir mão de estudo, só se você for absolutamente genial. E poucos podem dizer isso.
Faça seu trabalho falar por você
Jobs falava muito em entrevistas. Dizem que, pessoalmente, nem tanto. Era mais reservado, chamava ao seu círculo mais próximo pouquíssimas pessoas. Mas uma característica domina suas entrevistas e os famosos keynotes. Ele usa pouco a palavra “eu”. Mesmo sendo dono de um ego, que dizem, era considerável, em suas apresentações Jobs usava “nós”. “Nós amamos software”, “Nós estamos maravilhados”.
Parece pouco, mas nessa sutileza, ele está empoderando toda a Apple pelas inovações. Um executivo que diz “eu” demais, está olhando tanto pro seu próprio umbigo que dificilmente conseguirá ver a inovação passando na frente de seus olhos.
Pratique aquilo que você prega
Outra coisa notória é que Jobs falava sobre seu trabalho. De sua vida sabe-se muito pouco. Sabemos que ele era Budista que usava sempre a mesma roupa, talvez seguindo o exemplo de Albert Einstein (que tinha o guarda roupas inteiro igual, para não perder energia decidindo o que vestir), e de sua familia, quase não se sabe.
O sonho de Jobs era uma sociedade servida por máquinas elegantes e funcionais, que tornasse a vida das pessoas mais fácil e divertida. Seus produtos exalam isso. E ele se manteve até o fim nesse caminho, desde que achou que um mouse era mais natural que um teclado, até quando achou que usar as próprias mãos era mais natural do que o mouse. Simplicidade.
O pouco que se sabe de sua vida pessoal reforça isso. Ele era dono do escritório mais simples de toda a Apple, sua casa quase não tinha móveis. Era ultra exigente, mas dava os meios, métodos e o tempo necessários para que seus funcionários atingissem sua meta.
Trabalhe com gente melhor do que você (e deixe eles trabalharem)
Outro argumento que alguns usam contra Jobs é que grande parte das sua invenções são de outros. Estranho, eu vejo isso como um ponto forte. Steve sempre se associou com gente melhor do que ele em determinadas áreas.
Ele nunca escondeu Steve Wozniak. Wozniak é que nunca gostou do holofote. Johnny Ives, responsável pelo design da Apple, sempre apareceu nos vídeos de lançamento dos produtos que ele criava. Ninguém tinha ouvido de Tim Cook (fora do mundo empresarial) até que o próprio Jobs o apresentou ao mundo.
Na verdade, o que aconteceu é que essas pessoas rendiam muito mais ao lado de Steve Jobs. Trabalhando na Apple, sob a visão de Steve, ele alcançaram um patamar que antes, por si sós, não conseguiam.
Essa é uma das mais valiosas lições que eu vejo para líderes. Deixe a inovação acontecer, mesmo que você não seja protagonista dela. O mundo empresarial atual é um verdadeiro abatedouro de ideias. Alguns gênios decretam a morte de ideias antes de mesmo pensar um minuto a respeito, e muitas vezes varrem a inovação pra baixo do tapete, sob o medo de serem suplantados. Se você alcançou uma posição de liderança, só conseguirá mantê-la se tiver certeza de que entre seus comandados, existe potencial para ir mais longe do que você mesmo foi.
Se essas pessoas se sentirem inspiradas por sua liderança, estarão dispostas a criar para você ( é o caso da Apple). Mas se for o contrário, tudo que você conseguirá são bolsões de inovação esperando a pressão certa para estourar como um geiser. E vão estourar sobre suas costas, com certeza.
Saiba quem você é
Faça o que fizer, seja você mesmo no trabalho. Isso pode parecer uma frase de livro auto-ajuda, mas é muito mais dificil de ser aplicada do que parece. Tendemos a criar personas para fazer interfaces com nossos diferentes interlocutores. Isso funciona até determinado ponto. Mas no fim, vai te causar um cansaço enorme de representar tantos papéis.
Ninguém é 100% genuíno o tempo todo. Mas as vezes nos “maquiamos” demais. Sempre haverá um nicho, um público, um segmento onde seu modo de ver a vida será melhor aceito, e lhe trará menos dor. O caso é que nem sempre é o nicho que nó queremos. Temos uma tendência a querer a vida do outro. A negar nossa própria constituição, e isso muitas vezes sufoca valores.
Aprender a tirar o melhor de si, sendo apenas você, é um desafio e tanto. Jobs nunca fez concessões. Tanto que foi mandado embora de sua própria empresa. Mas soube encontrar motivação, quando chegou a conclusão de que ele não estava no ramo de informática, e sim de inovação. Se reinventou, e fez uma das maiores voltas por cima da história.
Pouco importa se tudo que aquilo que dizem sobre Steve Jobs é verdade. Sei que ele não inventou o fogo nem o pão de forma. O que interessa é aquilo que ele inspira nas pessoas. Ele pode ter sido um grande gênio, ou como querem alguns um grande aproveitador. Mas foi grande, isso é um consenso. E isso é mais do que a grande maioria de nós consegue.
Tags: apple, inovação, iPad, iPhone, steve jobs
A estética dos filmes jovens dos anos 50
Posted by Rodrigo | Filed under Ilustração, Poster
Quando se fala em juventude rebelde, quebrando tabus, lembramos sempre dos anos 60. Foi quando o movimento Hippie ganhou força, onde a galera gritou por paz, por liberdade sexual e de expressão, onde realmente o mundo mudou.
Mas se o jovens sessentistas corriam atrás de paz, os da geração anterior, os austeros anos cinquenta, queriam violência, transgressão e cultivar a fama de bad boys. Pelo menos éo que transparece ao ver esses posteres de filmes dos anos 50. Influenciados por ídolos como Marlon Brando e James Dean, e claro, pela recente explosão do Rock and Roll, os filmes para jovens dessa época sempre colocavam em situações limite, entre gangues e garotas-fatais, com os “adultos” sempre em papéis caretas, de policiais e médicos. Quase sempre eram estrelados por atores que nunca mais fizeram nada.
Vale a pena prestar atenção a detalhes que ficaram estampados na cultura. O estilo das fontes, sempre gritantes, o uso de slogans mais do que galhofas, as cores fortes e desenhos de garotas sensuais. Esse estilo até hoje é sinonimo de literatura pulp, de cultura de segunda categoria.
Eu me diverti encontrando essas pérolas. Cliquem, que elas ficam bem maiores.
Tags: art, design, movies, poster, tipografia
10 anos com Francisco
Posted by Rodrigo | Filed under Inspiração, Uncategorized
Há 10 anos você veio ao mundo.
Naquela manhã inesperadamente fria de setembro de 2001, quatro dias depois do mundo ter repentinamente se tornado um lugar pior, de mais medo e incerteza, você veio para mudar completamente minha vida.
Chegou forte, bonito de uma forma que eu nunca entendi por completo, com pulmões capazes de acordar até o mais dedicado dos dorminhocos e com um carisma que podia derrubar até o mais duro dos seres.
De uma hora pra outra, eu, que era designer, marido, irmão, filho, deixei todas esses títulos pra me tornar pai em primeiro lugar, o resto todo brigando para ver quem controlava o pequeno pedaço da minha alma que você não ocupava.
De lá pra cá venho assistindo a você crescer, se tornando um bebê, criança, menino, e agora um rapazinho que já tem uma idade de dois dígitos. Um década ao seu lado, Francisco….
Não entendo mais minha vida sem você. Não sei o é que não te ver todos os dias. Não sei dizer se minha vida antes de você era melhor ou pior. Eu nem lembro dela.
Hoje é dia de presentes, de festinhas, de alegria. É dia também de eu reforçar tudo aquilo que quero para você.
Quero que você continue com o coração que tem hoje. Um coração que aceita a todos, não julga a ninguém, que está sempre aceso.
Que você nunca se esqueça do poder que seu sorriso tem. Que ele lhe abrirá muito mais portas em sua vida do que seu pranto, sua ira.
Que você saiba que os dias de angústia virão. Mas que eles passam, como tudo passa. Saber disso é o primeiro passo para não dar tanta importância a eles.
Saiba que muita coisa pode lhe ser tirada na vida. Muitas perdas lhe aguardam, como aguardam cada ser deste planeta. Mas seu espírito é tão maior e tão mais iluminado que tudo isso, que você sempre poderá recuperar tudo.
Escute os mais velhos. Aprenda com as coisas que eles passaram. Mas tudo que você precisa para ter uma vida plena você já carrega consigo nesse momento. É só procurar quando precisar.
Colecione amigos, mais que qualquer outra coisa. Serão eles que estarão lá para você quando eu não mais estiver. Ninguém é uma ilha e todos precisam de todos. Não permita que nenhum tipo de orgulho o impeça de pedir ajuda quando necessário, e de estender a mão quando lhe for pedido.
Acima de tudo, conte com sua família. Estaremos aqui, sempre. Por mais longe que você vá, saiba sempre que o caminho para casa é sempre próximo, sempre aberto, sempre seu. Eu e sua mãe estaremos com nossos radares constantemente atrás dos sinais que você mandar. Chegará o dia em que nossas opiniões terão menos peso que as suas. É normal, só nunca se esqueça que pode pedí-las a qualquer momento da sua vida.
Hoje eu te assisto se tornando, mais rapidamente do que eu gostaria, é verdade, no homem que você um dia vai ser. E em meio as suas brincadeiras, eu já enxergo lampejos do ser humano que o mundo ganhará. E acho o mundo um pouco sortudo por ter um filho como você. Sortudo, como eu me sinto, de ser seu pai.
As pessoas podem achar estranho esse post tão pessoal num blog tão profissional. Mas não há separação. Você é, e sempre foi, minha força motriz, minha maior inspiração. O maior e mais importante motivo para tentar vencer, e ser correto, justo e ético.
Você passou do bebê que carregávamos para baixo e para cima dentro dos carrinhos, cadeirinhas e berços para um meninão curioso com tudo que acontece pelo mundo, que questiona engrenagens de um universo que eu mesmo não sou mais capaz de ver. Meu pequeno companheiro, minha companhia de todas as horas.
Meu amigo. Meu amor.
Feliz aniversário, Francisco.
Papai te ama, muito.
Tags: aniversário, birthday, inspiração
Artes Conceituais de Dumbo e Rei Leão
Posted by Rodrigo | Filed under Ilustração
Durante a última entrevista que fiz, com Lisa Keene, perguntei a ela sobre as artes que ela produziu para Rei Leão. Ela me disse que, nessa época, as artes eram todas feitas em papel ainda, e por esse motivo, ela não tinha nenhuma cópia daquele trabalho. Fiquei pensando (e morrendo de curiosidade ) sobre os tesouros que devem estar dentro das gavetas dos estúdios Disney.
Pois hoje, passeando pelo site da Yahoo Movies, encontrei uma parte dessas preciosidades. Eles disponibilizaram alguns conceitos de Dumbo e Rei Leão. Bom, os de Dumbo se parecem mais com um trecho de story board. Mas mesmo vendo pelos do Rei Leão é possível notar o quanto a tecnologia adicionou a esse trabalho. Mesmo após o forte uso de CGI, o trabalho do artista conceitual ficou mais completo, mais robusto, rico em detalhes. Os desenhos são lindos, mas bem mais simples do que temos visto hoje em dia.
Para que os puristas vejam que nem sempre a tecnologia diminui a qualidade dos trabalhos.
Tags: animação, cinema, concept art, disney
Propósitto Entrevista Lisa Keene, artista conceitual da Disney Studios
Posted by Rodrigo | Filed under Ilustração
A parte mais dificil da entrevista com Lisa Keene não foi chegar até ela. Isso foi muito simples. Mas depois que terminei a entrevista, pedi autorização para usar algumas imagens de suas pinturas, e ela respondeu: “claro, vá em frente, escolha a que quiser no meu site”. E isso se tornou um desafio, porque são todas tão bonitas que quando eu dei por mim, estava salvando todas.
Lisa trabalha na Disney há mais de 25 anos. Participou do time de artistas que concebeu “Rei Leão” e “A Bela e a Fera”. Seu trabalho fala por si só.
Na entrevista, Lisa comenta sobre carreira, novos mercados e a rotina junto aos diretores de filmes. Confira (e clique nas imagens, que ficam bem maiores e valem a pena):

Propósitto: Qual é a sua formação artística?
Lisa Keene: Eu amava desenhar quando era criança, e me inscrevi em todas as classes de arte que pude enquanto estava na escola. Meu pai também me levava a um cavalheiro que me ensinou pintura a óleo, era nosso tempo de pai/filha. Foi daqui que eu decidi que queria fazer uma carreira em arte, mas ainda não sabia como fazer isso. Eu frequentei a University do Sul da California por um ano, tirando assim minha educação formal do caminho, e então me transferi para para o Centro de Artes e Design e consegui minha licenciatura em Artes Plásticas.
Propósitto: Como voce começou a trabalhar na indústria do entretenimento?
Lisa Keene: Foi meio que por acidente. Eu não gostava de história da arte, que era um requerimento na escola, era tão árido. Mas eu descobri que poderia ganhar os mesmos créditos requeridos se eu frequentasse História do Cinema, que era muito mais divertido. Então, combinar meu amor por assistir filmes da Disney quando criança e agora meu conhecimento de cinema, foram uma óptima combinação quando fiz minha entrevista e fui contratada. Eu nunca sai da Disney, e estou lá por quase 30 anos.
Propósitto: Você poderia explicar como o trabalho de Concept Art é feito? Como é a interação entre o artista e o diretor do filme?
Lisa Keene: Isso difere de diretor para diretor. Por exemplo: alguns podem ter uma ideia clara do estilo que querem usar, digamos art noveau, e querem um visual bastante influenciado pelo tempo. Ou o director pode não ter uma ideia, e então é deixado para os artistas de desenvolvimento visual para propor estilos que inspirem a direcção. Eu já estive dos dois lados, e ambos tem seus desafios. Daí, é ler o script e imaginar momentos que reflitam o filme no estilo escolhido, para inspirar e informar a produção. Este processo interativo pode se extender por um bom tempo. É um processo muito colaborativo, não apenas com o diretor, mas com seus companheiros artistas também. É meio como uma pirâmide onde há uma grande base de arte, e enquanto nós trabalhamos juntos e nos inspiramos uns aos outros, o diretor faz escolhas e ficamos mais e mais perto do topo, e das respostas finais.
Propósitto: Você trabalha tanto na industria de filmes quanto na área das Artes visuais. Você enxerga uma separação entre os dois campos? Em outras palavras, você considera ilustração como arte?
Lisa Keene: Esta é uma ótima pergunta, e uma que tem sido ponto de discussão e argumento por todo o tempo. Eu acho que nós esquecemos que os artistas que nós vemos pela história faziam arte pelo pagamento. Do teto da Capela Sistina ao retrato de famílias ricas, artistas têm que vender seus trabalhos para poder sobreviver. Então, qualquer arte que é vendida por dinheiro reduz a arte a ilustração, minha mente. Ilustração é feita para comunicar uma ideia, uma história, um produto etc. Então o que é exatamente Artes Plásticas? Eu acho que está no olho do observador. Se te inspira, e fala ao apreciador e traz algum valor de felicidade, eu chamo de arte. E, quando passar o tempo, se a arte continuar a trazer essa felicidade e inspiração, talvez os críticos chamem de arte.
Propósitto: Eu notei que o estilo da sua arte varia da anatomicamente perfeita até o estilo cartunesco. Você acha que um ilustrador deve ter um estilo muito definido? Ou deve acomodar seu traço dependendo do trabalho?
Lisa Keene: Eu tenho dois pontos de vista aqui. Depende se ficar empregado é importante para o artista. Se ele quer ficar consistentemente empregado e ser útil a indústria, então ele precisa se flexível e adaptável. Isso não quer dizer abrir mão de seu estilo pessoal, quer dizer desenvolver uma habilidade de entender o que um diretor gostaria que ele entregasse. Ás vezes um artista é tão altamente considerado que não importa se seu estilo ofusca a direção visual. Eles são respeitados pelo que fazem, e foram procurados por seus estilos pessoais. Algumas vezes esses estilos podem ser acusados de serem modismos, e quando as pessoas se cansam de ver aquilo, querem algo novo. É um perigo dessa indústria. Então, como artistas, devemos manter nosso estilo fresco e inspirador, isso nos ajuda a continuar a bordo também. E também precisamos pintar para nossas próprias almas. Arte que faz o artista feliz! Então, respondendo de maneira rápida à pergunta: os dois!
Propósitto: Você trabalhou em projetos como o Rei Leão e a Bela e a Fera, que era primariamente desenhados à mão. Agora, os desenho feitos por computador quase totalmente dominam a indústria. Quanto o trabalho de concept art mudou depois do advento do CGI (Computer Graphics Imagery)?
Lisa Keene: Bem, em vários aspectos, não muito. Nós trabalhamos bem no começo do processo, então o meio que o filme será produzido importa muito pouco. Porém, dito isto, o padrão estabelecido está muito alto actualmente. Com a animação em 3D, e o cruzamento entre lie action e híbridos, muitas portas foram abertas, e tornaram o trabalho muito mais divertido e desafiador.

Propósitto: Os Estados Unidos são a força principal no mundo da animação. Você vê outros mercados no mundo aparecendo, em outro países?
Lisa Keene: Claro! Com todos os softwares e disponibilidade e queda nos preço para fazer filmes, qualquer um com talento, em qualquer lugar do mundo pode produzir e mostrar seu trabalho, e inspirar outros diretores. Frequentemente olhamos para outros artistas em outros países para nos influenciar e inspirar, de maneira que a arte não fique travada. Então, outros mercados estão fazendo um grande impacto na forma da arte.

Propósitto: Quais são suas influencias principais? O que inspira você?
Lisa Keene: Uma questão gigante, mas com uma resposta simples. O mundo ao meu redor. Tudo de arte, simplesmente sair, internet, fotografia… e está constantemente mudando. Ser uma artista é sempre estar um pouco insatisfeita com seu próprio trabalho. É o que nos mantém sempre tentando novas coisas, e movendo em frente.
Propósitto: Você tem algum trabalho com o qual você sonhe e ainda não realizou? O que seria?
Lisa Keene: Eu acho que algum dia eu gostaria de pintar o que eu quiser, e me divertir fazendo. Eu não ligo para o que seja, só estar feliz com arte é o melhor sonho. E viver disso, o que é importante.

Propósitto: Você conhece algum artista do Brasil?
Lisa Keene: Não, ou pelo menos acho que não.
Tags: concept art, disney, ilustração
Um anúncio feito para não ser lido
Posted by Rodrigo | Filed under publicidade, tipografia
Um anúncio de banco de imagens SEM IMAGENS?
Isso foi a primeira coisa que me chamou a atenção nos anúncios criados pela MacLaren McCann de Toronto para o banco de imagens Fotolia. A intenção era marcar que a empresa havia conquistado o primeiro lugar na categoria na Europa.
A solução é uma grande quebra de paradigma. E um movimento arriscado, que compensou.
A agência faz um anúncio que, apesar de perfeitamente legível, ninguém lê. A não ser a parte que eles querem. E de quebra, mostra o quanto pode ser maçante um anúncio com excesso de texto.
Além de tudo, é um excelente exercício de tipografia e uso da cor.
Tags: advertising, inovação, publicidade, tipografia, tipography
Identidade Supermercado gerido por Cooperativa
Posted by Rodrigo | Filed under Branding
Visitando o site da Identity Designed encontrei esse projeto de branding para um supermercado, que me chamou a atenção.
Na verdade, o supermercado é uma cooperativa chamada “People’s Supermarket”. Sua identidade foi criada pela agência Unreal, de Londres.
Interessante ver o enfoque profissional, moderno e apto a concorrência que a agência criou. No Brasil, temos uma tradição de trabalhos de identidade e designe feitos para cooperativas que quase sempre ficam tímidos, até meio toscos na finalização, como se fosse um subtrabalho.
Na verdade, várias cooperativas nem tem noção de que deveriam investir em design. O quanto um trabalho de marca bem feito pode agregar no seu produto. Sempre vejo embalagens de produtos provenientes de cooperativas agrícolas com as velhas vaquinhas, fazendinhas e tratores mal desenhados e sem noção do mercado.
Para mim, esse descaso se deve a dois fatores. Como muitas vezes essas associações são geridas por gente simples, há uma desinformação sobre a necessidade desse investimento. Uma sensação de que isso é jogar dinheiro fora, que é trabalho supérfluo. Geralmente esse receio é amenizado quando técnicos profissionais, como os do Sebrae são involvidos, e explicam os ganhos do investimento em marca. Mas há uma certa culpa do designer, que é por excelência um animal urbano, em tentar entender gente mais humilde, em sentar junto e explicar como as coisas podem ser.
Veja abaixo a linda identidade criada para o People’s Supermarket.
Tags: branding, logo, logotype, marca, supermercado
Um manifesto para todos os designers
Posted by Rodrigo | Filed under Poster, tipografia
Quem nunca sofreu fazendo trabalho especulativo (“faz um exemplo da página principal, só pro cliente ter uma ideia do que pode ser”)?
Quem de nós não ouviu choramingos pedindo para abaixar o preço (“será que você não faz um descontinho de 50%?”) mesmo depois de ter combinado o preço?
Qual designer não ouviu ofertas para trabalhar em troco de visibilidade (“olha, pagar não posso, mas com certeza posso te indicar para vários amigos com muita grana)?
Quem acha que isso é uma realidade brasileira pode reconsiderar depois de ver esses cartazes que o designer Ben Crick criou como um Manifesto para que os designers parem com esse tipo de conduta. Acho que só recusando trabalhos assim poderemos educar nossos clientes.
Fora que os posteres são lindos. Confiram:
Tags: design, manifesto, poster, typography












































































